Título: Israel mata egípcios por engano
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Fonte: Jornal do Brasil, 19/11/2004, Internacional, p. A-9

Tropas israelenses mataram por engano ontem, na fronteira de Gaza com o Egito, três soldados egípcios, o que o Exército de Israel definiu como um ''erro profissional e operacional''.

O episódio ocorreu no chamado ''Corredor Filadélfia'', um trecho de 9km que separa o Sul da Faixa de Gaza do Egito e que se encontra sob controle israelense. Os três agentes mortos eram membros de um corpo especial de caráter paramilitar, subordinado ao Ministério do Interior.

As Forças de Defesa Israelense alegaram que ''as tropas identificaram uma célula terrorista de três pessoas que se aproximava da fronteira, perto da divisão de Rafah, com o objetivo de detonar uma bomba contra as patrulhas militares, que vigiam o local''.

Israel se apressou em pedir desculpas ao Egito e abriu uma investigação sobre o fato, que pode aumentar a tensão entre os dois países, signatários de um acordo de paz em 1979.

- Trata-se de um incidente lamentável e de graves conseqüências - declarou o vice-ministro da Defesa. - Matamos pessoas inocentes de um país que tem um tratado de paz com Israel. É preciso investigar por que a equipe de supervisão não operou.

O primeiro-ministro Ariel Sharon telefonou para o presidente egípcio, Hosni Mubarak, a quem pediu desculpas pela morte dos soldados.

O governo do Egito, por sua vez, divulgou uma nota condenando o incidente e pedindo ''uma explicação clara e imediata''. O chanceler Ahmed Abul Gheit qualificou o incidente de ''irresponsável''.

Ontem também, o governo israelense libertou Hassan Yusef, de 49 anos, principal líder do grupo extremista palestino Hamas. Ele havia sido preso em agosto de 2002 e condenado a 28 meses de prisão.

Segundo o jornal Haaretz, as forças israelenses não conseguiram reunir provas que ligassem Yusef aos ataques terroristas do Hamas.

Yusef, considerado um líder moderado, pediu para que as novas autoridades palestinas façam da libertação de prisioneiros uma prioridade.