Título: UnB instala miniusina de biodiesel
Autor: Patrícia Alencar
Fonte: Jornal do Brasil, 19/01/2006, Brasília, p. D4
Processo inovador produz combustível empregando apenas óleo vegetal, sem adição de outros insumos, como o álcool
Depois de três anos de pesquisa, a Universidade de Brasília (UnB) inaugurou ontem uma miniusina de produção de biodisel, que utiliza processo de craqueamento apenas com óleo vegetal, sem a utilização de outros insumos, como o álcool. A gordura animal, de frango e do boi, e os vegetais oleaginosos - como a mamona, soja, girassol, dendê, babaçu, nabo forrageiro -- encontrados fartamente no País, podem fazer com que o Brasil consiga ficar menos dependente do petróleo para movimentar sua frota de veículos médios e pesados. A partir dessas materias-primas é possível fabricar o bioóleo, combustível de fonte de energia renovável e que constitui alternativa ao petróleo. Atualmente, o Brasil importa entre 8% e 10% dos 40 bilhões de litros de diesel consumidos anualmente. Com o Programa Biodisel, do governo federal, o óleo vegetal está sendo comercializado dissolvido no óleo diesel na porcentagem de 2%. Em janeiro de 2008, será o prazo final para que todo diesel comercializado no país tenha maior porcentagem de biodiesel. A partir de 2013, esse índice deverá passar para 5%.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, o novo combustível tem uma importância estratégica, ambiental e econômica para o País. A expectativa do governo federal é que a produção das matérias-primas para o biodiesel crie fontes de emprego e de renda para o homem no campo. A intenção é melhorar não só sua renda, como estimular que se fixe nas áreas rurais em vez de migrar para os centros urbanos.
- Essa tecnologia apresentada pela universidade vai permitir o acesso a energia nas comunidades mais isoladas. Hoje, temos mais de 65 mil famílias trabalhando para abastecer o programa do biodiesel. Isso significa mais renda, diminuição da pobreza e oferta de um combustível mais limpo para o nosso País - explica Rossetto.
O governo federal está em negociação com os fabricantes do motor para ter a adaptação que permita um percentual do biodiesel maior no motor, podendo chegar a 100%, como já acontece na Europa. Até os 5% que serão utilizados na mistura ainda é considerado como aditivo, não tendo nenhum tipo prejuízo para o veículo, assegura o ministro do Desenvolvimento Agrário.
Pesquisa - Na usina desenvolvida pela UnB, o óleo vegetal passa por um processo de quebra de molecula - craqueamento. O material é submetido a uma temperatura de 350ºC. O professor do Instituto de Química, da universidade, Paulo Anselmo Ziani, um dos coordenadores do projeto explica que a partir de 10 litros de óleo de soja, por exemplo, é possível produzir seis litros de bioóleo.
- O craqueamento é um processo mais simples para a produção do biodiesel, porque envolve menos etapas e menos insumos. Por isso ele acaba atendendo melhor as áreas mais isoladas, como em assentamentos. Em compensação ele tem um rendimento menor, apenas de 60%, em relação ao biodiesel que utiliza o álcool para a composição, a chamada transesterificação.