Título: ONU: Brasil crescerá menos
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Fonte: Jornal do Brasil, 25/01/2006, Economia & Negócios, p. A18
Expansão da economia brasileira em 2006 será inferior à dos demais emergentes
Relatório divulgado ontem pelas Nações Unidas (ONU) vem comprovar o que os críticos do governo repetem há meses: o Brasil vai crescer menos que seus pares emergentes. Segundo o documento Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2006, a economia brasileira vai crescer 3% este ano, menos que outros 24 países analisados.
Ficam na frente do Brasil os vizinhos Argentina (6%), Chile (5,5%), Colômbia (4,5%), México (3,9%), Venezuela (5,5%) e até Peru (5%).
Para as Nações Unidas, a economia mundial vai crescer 3,3% em 2006, em ritmo semelhante ao registrado no ano passado (3,2%) e abaixo do observado em 2004 (4%).
Já a América Latina ficará na lanterna entre os continentes em termos de crescimento. O relatório prevê expansão de 3,9% para a região e o Caribe, abaixo de Oriente Médio (5,1%) e África (5,5%).
Segundo relatório, com a expansão prevista, o continente se manterá ''relativamente atrasado uma vez que o resto de áreas econômicas em desenvolvimento registrarão melhoras muito mais sólidas''.
O baixo crescimento econômico tem relação imediata no nível de emprego e renda da população. Com expansão baixa, de acordo com dados divulgados também ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a América Latina foi a região onde o desemprego foi maior em 2005, com uma taxa de 7,7%.
De acordo com o relatório Tendências Globais do Emprego, a taxa de desemprego mundial foi de 6,3% no ano passado, para uma força de trabalho calculada em 2,8 bilhões de pessoas. Representa ainda um aumento de 2,2 milhões de desempregados no mundo.
Também aumentou na região o número de trabalhadores que vivem com apenas US$ 2 ao dia. Em 2000, os trabalhadores latino-americanos com renda de até US$ 2 diários eram 70,9 milhões, contra 75,6 milhões de pessoas atualmente.