Título: Posição na medula facilita pesquisa
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/02/2006, Ciência, p. A12
Nova técnica que utiliza gene de água-viva e luz ultravioleta permitiu a descoberta inédita
WASHINGTON - Cientistas descobriram que as células-tronco ficam na borda da medula óssea, e não agrupadas na parte central, como se pensava anteriormente. Equipes da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos e da Universidade de Tsukuba, no Japão, ressaltaram que o achado facilita o uso dessas células, com grande potencial de diferenciação, na luta contra doenças como o câncer.
Foi criada uma técnica que permite, pela primeira vez, que os pesquisadores observem, claramente, as células-tronco através da medula óssea. Anteriormente, o processo era muito mais complicado, só era possível identificá-las a partir de proteínas ou marcadores existentes em sua superfície. Isso obrigava os médicos a retirarem uma grande quantidade de medula óssea do doador, para depois separar as células-tronco, que seriam injetadas no paciente.
- É possível que encontremos uma maneira de aumentar a população de células-tronco em seu nicho - afirmou Doug Engel, que participou do estudo publicado na edição deste mês da Proceedings of the National Academy of Sciences. - E talvez, depois, conseguir retirá-las de uma forma menos invasiva e dolorosa que a atual- acrescentou o cientista.
Além disso, saber onde as células da medula óssea estão pode ser a chave para desvendar como o órgão ''fabrica'' diferentes tipos de sangue.
- Tem alguma coisa no meio que as envolve que é parcialmente responsável por manter o seu estado primitivo. Agora que podemos visualizá-las in vivo , estamos em uma posição melhor para descobrir como fazem isso - afirmou Engel.
O novo método se caracteriza pela inserção de um gene fluorescente, retirado de uma água-viva, em dois genes que existem somente nos glóbulos do sangue, um chamado Gata-2, e outro denominado IS, que ajuda a controlar o Gata-2. Assim, quando iluminadas por uma luz ultravioleta, as células ficam brilhantes.
- Fizemos no experimento com que um rato expressasse a proteína verde fluorescente sob o controle do Gata-2 - explica, detalhando que fotografias tiradas depois, em diferentes intervalos de tempo, mostravam seções do osso da perna do rato iluminadas pelo microscópio. - Foi possível ver claramente cada uma das células-tronco na borda da medula óssea individualmente - acrescentou o especialista.
Denominadas hematopoiéticas, essas células, quando se proliferam, podem dar origem a unidades do sistema imunológica entre outros tipos de células sanguíneas. Cientistas acreditavam que elas circulavam no interior da medula, mas na verdade ficam paradas e em contato com os osteoblastos, que são responsáveis por formar os ossos.
A descoberta torna possível um estudo em ambiente natural, o que é fundamental, dizem os cientistas. Quando removidas da medula óssea, as células morrem ou iniciam o processo de diferenciação.
Em um outro estudo, publicado pelo mesmo jornal, pesquisadores encontraram um fonte de suporte para células-tronco - as proteínas príons. Sua ação mais conhecida é como agente causadora do mal da vaca louca, entre outras doenças, o que ocorre quando sofrem alguma deformação.
Mas Susan Lindquist, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e sua equipe observaram que a proteína príon, fica ativa nas células-tronco da medula óssea, ajudando durante o processo de transplante, podendo servir assim, com um marcador para encontrá-las.