Título: Romário provoca polêmica antes de entrar na política
Autor: Josie Jeronimo
Fonte: Jornal do Brasil, 27/01/2006, País, p. A4

Na grama ou nas urnas, o polêmico Romário, atacante do Vasco da Gama, não passa em silêncio. Em entrevista concedida quarta-feira no Centro de Treinamento de São Januário, o baixinho revelou disposição para trocar os campos pela tribuna da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). Seguindo os conselhos do ex-deputado Eurico Miranda, patrão no futebol e mentor na política, o atacante entrou para o Partido Progressista, sigla que o cartola também integra, há dois anos. A filiação aconteceu sem alarde.

Antes de se candidatar, Romário deverá ter o nome aprovado pela legenda. As convenções do partido acontecerão em junho. No que depender da direção estadual do PP, o baixinho é muito bem-vindo.

- Se ele quiser se lançar, a legenda é dele. Romário tem a cara do Rio - elogiou o deputado federal Francisco Dornelles, presidente do PP no estado.

No entanto, há quem alegue que não foi da noite para o dia que o camisa onze se apaixonou pela política. De carona na inclinação do jogador existe a malícia política de Eurico Miranda. Derrotado na eleição de 2002 para o Congresso, o presidente do Vasco espera encontrar em Romário um cabo eleitoral de luxo e fazer uma dobradinha.

O atacante seria para Eurico o que o deputado estadual Roberto Dinamite (PMDB) foi no passado. Em 1994 e 1998 o peemidebista atuava na Alerj quando apoiou a candidatura do presidente do Clube. Pé quente, ele foi fundamental nas duas vitórias do dirigente. A parceria foi definitivamente rompida em 2002. Durante partida contra a Ponte Preta, Eurico expulsou Dinamite da tribuna de honra do clube. O argumento utilizado à época foi de que o local era destinado a convidados e o ex-jogador não estava na lista.

A possibilidade de dividir votos vascaínos com Romário tem deixado o deputado estadual apreensivo. Em seu terceiro mandato, o ex-jogador confessa a aliados que a candidatura do baixinho pode roubar parte dos eleitores cruzmaltinos.

- Vou continuar fazendo meu trabalho. Tenho consciência que 90% do meu eleitorado é composto de torcedores do Vasco - afirma o deputado.

Como parte da história do Clube, Dinamite não direciona críticas ao colega Romário. Apesar de observar que a relação do atacante e do Cartola aparenta ultrapassar as quatro linhas. Tenta se convencer de que a torcida é grande o suficiente para os dois. No entanto, confessa aos mais próximos que não há o que fazer diante da situação, porque o camisa 11 está ''na crista da onda''.

O envolvimento de Romário com a política é recente. Em agosto de 2004 o jogador demonstrou desapreço aos políticos quando disse que ''cabeça de político em época de eleição é igual a bunda de neném: só sai merda''. A declaração foi uma resposta a comparação do senador Marcelo Crivella (PL-RJ). O parlamentar disse que o prefeito César Maia fazia campanha como Romário jogava: ''deixava para o segundo tempo''.

Espantados com o repentino interesse do atacante pela política, aliados de Dinamite dizem que o camisa onze aparece no cenário da política do Rio como um ''inocente útil''.

- Não sei se Romário estará preparado para enfrentar a política e se isso vai ser legal para ele - pondera Dinamite.

O ex-jogador analisa que a presença de um atleta de renome sempre foi fundamental para o presidente do Vasco.

- Sozinho com certeza ele não consegue se eleger. Ele agora vai trilhar outro caminho, usar outro atleta - disse referindo-se a intenção de Eurico em lançar candidatura como deputado federal.

O dirigente foi procurado, mas não respondeu às ligações.