Título: PSB defende união em torno de Agnelo
Autor: Eruza Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 27/01/2006, Brasília, p. D3
Os partidos de esquerda estão divididos sobre a queda da verticalização. Para o presidente regional do PT, Chico Vigilante, o vale-tudo nas coligações estaduais e no Distrito Federal dão respaldo ao oportunismo político, além de facilitar a barganha e a prática de caixa dois. Apesar de ver aberta a possibilidade de fazer alianças com outras legendas, como PDT e PPS, Vigilante afirmou que o cenário político para os petistas brasilienses não sofrerá grandes mudanças. Ele considera um erro derrubar a norma, pois ela consolidava a idéia de partidos nacionais e fortalecia o processo democrático.
- O fim da verticalização facilitará, na verdade, a pulverização entre PSDB, PMDB e PFL. Agora é que os aliados de Roriz decidirão pela candidatura própria de cada partido. Para o PT, não haverá tanta diferença, teremos um candidato petista ao Buriti. Essa decisão unifica as tendências internas do partido - afirmou.
O presidente do PSB-DF e secretário para a Inclusão Social, Rodrigo Rollemberg, acredita que a extinção dessa regra eleitoral a menos de nove meses das eleições garantirá maior liberdade para todos os partidos. Ainda assim, as coligações, de acordo com o secretário, dependerão dos planos nacionais.
- A nossa intenção no DF é fazer uma grande aliança com os partidos de esquerda, em torno de uma chapa única para concorrer ao Buriti. Dessa forma, teremos chance concretas de ganhar a disputa - explicou o secretário.
Alternativa - Rodrigo Rollemberg engrossou o coro de que o nome do ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, pré-candidato ao GDF pelo PCdoB, é capaz de aglutinar as forças de esquerda. Mesmo sem declarar o apoio irrestrito ao colega, ele diz que retomará as conversas com as legendas, inclusive o PT, que aprovou uma resolução da Executiva Regional afirmando que terá candidatura própria ao Palácio do Buriti.
- Não queremos a imposição, somos favoráveis ao processo de negociação. É natural que o PT não queira abrir mão da cabeça de chapa, mas temos de construir o consenso. O nome petista de maior densidade ao governo é o da deputada Arlete Sampaio - disse Rollemberg.
Para não deixar que os pequenos partidos de esquerda sejam varridos do cenário político, a deputada federal Maria José Maninha, do PSol, votou a favor do fim da verticalização. A parlamentar ainda não decidiu se concorrerá à reeleição ou entrará na disputa ao Buriti. A decisão será tomada em março, após o congresso do partido.
- A polarização no DF entre PMDB e PT desaparece devido a dois fatores: a saída de Roriz e a crise petista. A esquerda terá várias alternativas e manteremos nossa posição de não coligar com o PT - afirmou Maninha.