Título: Terceirização
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/02/2006, Brasília, p. B2

Terceirização, sabe todo mundo, é uma faca de dois gumes. Em muitos casos, garante a qualidade dos trabalhos prestados pelo Estado e barateamento da conta levada ao público. Em outros, implica gastos mais elevados ou sucateamento dos serviços. No Distrito Federal existem exemplos de um e de outro. Por isso mesmo é preciso muita atenção a cada nova proposta nesse sentido, como ocorre neste momento com o Parque da Cidade. Como se sabe, é intenção da Secretaria de Parques e Unidades de Conservação, a Comparques, terceirizar os serviços de manutenção elétrica e hidráulica do Parque da Cidade. Já se encaminhou até pedido de licitação ao Buriti e a intenção é de que o edital saia o mais breve possível. É uma forma de atender o governador Joaquim Roriz, que pretende melhorar a conservação, tendo inclusive demitido o antigo administrador, responsabilizado pelas falhas nessa área. A Secretaria quer ainda reduzir os custos, que são elevados. Por exemplo, na recuperação de quatro banheiros depredados a Secretaria precisará gastar R$ 148 mil.

A terceirização é vista pela Secretaria, também, como mecanismo para ampliar o atendimento ao público. Por exemplo, sanar problemas ocorridos no domingo, o que hoje não acontece. A empresa terceirizada terá de proceder à manutenção 24 horas ao dia. Ótimo. Mas qual será o custo?

Não há dúvidas de que existe muito a fazer no parque. É preciso proceder a reforma e manutenção de banheiros, vestiários gramados, brinquedos, playgrounds e outros equipamentos urbanos, como os espelhos d'água. Há ainda a segurança, pois o principal inimigo da preservação é o vandalismo. Caso se resolvam todos esses problemas, mediante um desembolso razoável, será excelente para os brasilienses. No entanto existe sempre o risco de que as despesas subam e a qualidade dos serviços caia. É para esse perigo que se precisa atentar.