Título: Batalha dentro de Israel
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/02/2006, Internacional, p. A8
Desocupação de colonos radicais vira batalha campal, com 200 feridos
AMONA, Cisjordânia - A desocupação de um posto ilegal no assentamento de Amona, na Cisjordânia, terminou com mais de 200 feridos e gerou cenas de violência que podem mudar a política em Israel. Autorizada pela Justiça, a ação foi ordenada pelo premier Ehud Olmert, num passo para mostrar a retomada do projeto associado ao Mapa do Caminho (plano de paz organizado pelos EUA, Nações Unidas, União Européia e Rússia) interrompido com a doença do primeiro-ministro Ariel Sharon. O plano prevê o desmonte de 24 desses postos, mas o que parecia uma reminiscência da retirada de Gaza (em agosto de 2005), virou uma batalha aberta, com policiais a pé e a cavalo, atacados a pedradas, golpes de paus e toda sorte de objetos pelos manifestantes.
Embora tais remoções geralmente tenham apoio popular, o prejuízo político pode ser maior do que se imagina. Entre os feridos estão dois deputados do parlamento (Knesset) e com as eleições de 28 de março se aproximando, tanto a violência quanto a vitória do Hamas nas eleições palestinas podem minar a vantagem do partido Kadima. A legenda foi fundada por Sharon para viabilizar novas retiradas e as negociações com a Autoridade Palestina. Olmert ficou furioso com o episódio.
- Uma linha foi cruzada em Amona e isso não será tolerado - afirmou o premier, culpando os colonos e dizendo que paus e pedras ''nada têm a ver com ideologia''.
O deputado Pinhas Wallerstein, do Partido Nacional Religioso, respondeu cobrando a abertura de uma investigação sobre o comportamento das forças de segurança.
- Olmert está facilitando as coisas para o Hamas e ferindo seus próprios filhos. É escandaloso - acusou.
No Likud, partido de direita e principal adversário do Kadima, a reação foi parecida.
- Ele procura um conflito a qualquer preço, quer desviar a atenção do público de sua responsabilidade na vitória do Hamas - atacou o deputado Uzi Landau.
Os feridos, em sua maior parte, eram jovens colonos que haviam seguido para as casas perto do assentamento de Ofrah, Norte de Ramala, para um ''protesto pacífico''. Quando a desocupação começou muitos resistiram em barricadas de onde jogavam pedras, tinta e óleo de cozinha.
- Em anos de polícia, jamais vi ataque assim - comentou Yisrael Yitzhaki, o oficial encarregado.
No lado dos colonos, a disposição era a mesma.
- Saímos com o nariz sangrando hoje mas precisamos nos preparar para a próxima batalha - disse Ran Cohen. - Olmert quer luta e não sairemos facilmente. Não permitiremos que nenhum judeu mais seja evacuado.
As casas foram demolidas. Autoridades disseram que os policiais não tinham ordem de atacar, apenas reagiram. A atuação recebeu o apoio do governo.
- Não permitiremos que foras-da-lei, mesmo do Knesset, ameacem o Estado de Israel - afirmou o chefe de gabinete, Roni Bar-On. - Nos contivemos por muito tempo. mesmo quando as pessoas atacavam a polícia. Daqui por diante, essa será uma nação de leis, que aplica as Leis - concluiu.