Título: Garotinho deixa cargo e se diz favorito
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/02/2006, País, p. A5

Pré-candidato questiona viabilidade de peemedebistas

Ao deixar a Secretaria de Governo do Rio para fazer campanha para as prévias do PMDB, o ex-governador do Rio e pré-candidato à Presidência da República Anthony Garotinho definiu-se como o favorito na disputa interna do partido e disse esperar que o ''mercado financeiro'' reaja à sua candidatura, porque fará o oposto do que as gestões do PSDB e do PT fizeram na economia. - Espero que o mercado reaja, porque, se não reagir, tem alguma coisa errada - ironizou Garotinho. - A política de PT e PSDB favoreceu o setor financeiro, que certamente não será favorecido na minha gestão.

Rompendo a trégua definida internamente, afirmou que seu adversário nas prévias, governador Germano Rigotto (RS), é ''muito regional'' e entrou tarde na disputa, e disse não temer ''golpe'' de governistas do partido.

- A minha candidatura já decolou. Sou competitivo sem ainda ser candidato - disse Garotinho, ao questionar a viabilidade eleitoral do governador do Rio Grande do Sul. - Tenho 17%, 18% (nas pesquisas), e outro tem 2%, 3%...

Na entrevista, Garotinho afirmou ainda que o o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, também pode ser pré-candidato, desde que aceite disputar as prévias do partido. Garotinho se considera favorito. Até 19 de março, data da disputa, pretende percorrer o país fazendo campanha entre delegados nos estados. A prioridade será dada a São Paulo e Minas, que detêm 18% e 12% dos votos, respectivamente. O Rio tem outros 12%.

Na semana passada, o senador José Sarney (AP) afirmou que Garotinho era novo demais no partido para ser presidenciável. Sobre as críticas de que tem pouco tempo de PMDB, o ex-governador disse que ''fidelidade não é tempo, é compromisso'', e que nunca descumpriu uma decisão da legenda. Ele fez ontem a última reunião com o secretariado que comandou nos últimos 17 meses. Foi homem-forte da gestão de sua mulher, Rosinha Matheus, por dois anos e oito meses.