Título: Presidência seria a melhor opção
Autor: Luciana Navarro
Fonte: Jornal do Brasil, 05/02/2006, Brasília, p. D1
O governador Joaquim Roriz (PMDB) prefere trabalhar com calma para articular as melhores alternativas para seu futuro político. Quando aclamado pelo público como o novo Juscelino Kubitschek se diz honrado, mas não assume interesse de se candidatar à Presidência da República. Para o cientista político Ricardo Caldas, professor da Universidade de Brasília, a disputa ao Palácio do Planalto seria a melhor alternativa para Roriz depois da desincompatibilização no começo de abril. - É um candidato interessante, tem um perfil diferente e conseguiu fazer o que Lula não fez que é a economia do DF crescer e estabelecer novos eixos para ela como a Cidade Digital, por exemplo - analisa Caldas.
O cientista político destaca a importância de se avaliar o motivo que leva Maguito Vilela (PMDB-GO) e Demóstenes Torres (PFL-GO) a fazerem discurso sugerindo a Roriz que concorra à presidência e comparando-o a JK.
- O PMDB faz isso como estratégia para vender mais caro o apoio a Lula. PFL faz a mesma coisa mais como forma de ameaça do que de uma candidatura verdadeira - explica o professor.
Caldas prefere não opinar sobre a comparação de Roriz com JK, cuja trajetória política foi assunto de sua dissertação de mestrado há 20 anos. Para o professor, antes do PMDB lançar Roriz como candidato ele precisa analisar se Roriz conseguirá atrair votos em todo o País.
- Ele não é figura conhecida nacionalmente como o Anthony Garotinho (PMDB) - afirma.
Caldas ressalta que a possibilidade de Roriz se candidatar é uma maneira de ameaçar a candidatura de Garotinho. O professor acredita que o principal concorrente de Roriz dentro do PMDB é o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB).
- Ele tem perfil semelhante ao do governador do DF. Rigotto quer ser o meio termo entre o conservadorismo de Roriz e a tendência progressista de Garotinho - diz.
Para Caldas, concorrer ao cargo de senador é uma opção secundária para Roriz.
- O perfil dele é de Executivo e não de Legislativo. Não há vergonha nenhuma em perder uma eleição para presidente ou vice. Mas ele não precisa tomar essa decisão agora. O tempo está a favor dele - argumenta o professor.
Caldas acredita que a candidatura de Roriz ao Planalto não será possível caso o partido se alie ao PT.
- O Renan [Calheiros]é mais conhecido nacionalmente que ele. Se o objetivo é trazer o PMDB para ser aliado do PT o Renan é um nome mais fácil. Esses partidos são inimigos históricos em Brasília - avalia.
Sucessão - A demora de Roriz em divulgar o nome que pretende apoiar na corrida para o GDF é, segundo o cientista político, uma boa estratégia.
- É como um jogo de pôquer. Roriz faz a opção de continuar na disputa até o final e quer deixar as jogadas passarem. A verdade ele guarda para o final - compara Caldas.