Título: Roriz, em clima de adeus, vive o dilema entre o Senado e o Planalto
Autor: Luciana Navarro
Fonte: Jornal do Brasil, 05/02/2006, Brasília, p. D1
O governador Joaquim Roriz (PMDB) começa a dizer adeus ao Palácio do Buriti. Nas cerimônias oficiais, ele aproveita os discursos para dizer que está deixando o governo. Apesar do clima de despedida, Roriz não diz a que cargo pretende concorrer. O mais óbvio é que dispute a vaga do Senado, mas, se depender de alguns correligionários, sairá para a Presidência da República ou para o posto de vice. O governador tem até o dia 10 de março para pedir o registro para as prévias do PMDB, marcadas para 19 de março. Segundo o secretário da Agência de Infra-estrutura e Desenvolvimento Urbano do DF, Tadeu Filippelli, presidente regional do PMDB, a lembrança do nome de Roriz para uma disputa em nível nacional cresce a cada dia.
- É notório que ele deixa de ser líder apenas do Centro-Oeste e seu nome passa a ser lembrado nacionalmente. Roriz se consolida como um nome forte - afirma Filippelli, que se coloca como pré-candidato ao GDF, desde que tenha o apoio de Roriz.
No começo do mês passado, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, um pré-candidato à Presidência da República pelo PMDB veio a Brasília e se reuniu com Roriz na residência oficial de Águas Claras. No almoço, Rigotto propôs a Roriz que se candidatasse para as prévias do partido. Segundo o governador gaúcho, quanto mais candidatos melhor, mais forte será a disputa interna. A intenção de Rigotto, mesmo que não declarada, pode ser o enfraquecimento da candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho que pretende ser o candidato peemedebista ao Palácio do Planalto.
Público - Se dependesse da platéia que acompanha Roriz nas cerimônias oficiais, a candidatura do governador à cadeira, hoje, de Inácio Lula da Silva seria dada como certa. Na quinta-feira, durante solenidade de sanção de lei que permite a doação de lotes do GDF para a prefeitura da Cidade Ocidental (GO), a claque gritava ''Brasil, urgente, Roriz para presidente''. A cada vez que o nome do governador era pronunciado, o público o aclamava como presidente.
Ao sair da solenidade, o governador foi questionado sobre as expectativas dele em se candidatar ao Senado, mas, mais uma vez, desconversou:
- Tenho muito cuidado com essas questões, a gente sabe das limitações mas eu agradeço muito porque o povo está vendo essa possibilidade. Eu ando mais reservado. Acho que está meio cedo para emitir algo que possa dizer que eu estou pensando nisso. Acho possível, mas eu não quero dizer que por enquanto acho que não é viável.
Na sessão solene em homenagem aos 50 anos de posse de Juscelino Kubitschek, realizada no Senado na quarta-feira, Roriz foi comparado a JK pelos senadores Maguito Vilela (PMDB-GO) e Demóstenes Torres (PFL-GO).
- Temos JK no Brasil e JR em Brasília - bradou Vilela.
Acordo - Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolva concorrer à reeleição, deve ter como vice em sua chapa o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conforme divulgou a reportagem do o Jornal do Brasil publicada sexta-feira. A alternativa de unir PMDB e PT em uma mesma chapa não se repetiria no DF, onde os dois partidos são rivais políticos irrenconciliáveis. Nesse caso, a melhor saída para Roriz seria concorrer ao cargo de senador, para o qual não tem adversários de peso.
Com apenas uma vaga do Senado para ser disputada, as eleições deste ano não terão muitas opções para a Casa. A deputada distrital Arlete Sampaio (PT) prefere não concorrer ao cargo agora, acredita que em 2010 isso possa acontecer, mas por enquanto não acha viável. Caso não saia como candidata ao GDF por seu partido, pretende tentar a reeleição para a Câmara Legislativa.
O ministro dos Esportes Agnelo Queiroz (PCdoB) também não deve sair ao Senado. O mais provável é que ele também tente disputar o Palácio do Buriti. Para isso, poderia repetir a dobradinha dos outros anos e formar chapa com o PT, mas nenhuma das legendas quer abrir mão da cabeça de chapa.
- Em hipótese alguma o PT vai deixar de ter candidato próprio. Estamos buscando alianças com todos os partidos de esquerda e de centro. Esse é um momento de muita ebulição na política. Espero que desistam da candidatura de Agnelo, mas se não desistirem tudo bem. Para isso existe o primeiro e o segundo turno nas eleições - afirma o deputado Chico Vigilante, presidente do PT no DF.