Título: Investimento contra aftosa
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 26/01/2006, Economia & Negócios, p. A19
O Grupo Interamericano para a Erradicação da Febre Aftosa (Giefa) vai investir US$ 49 milhões para acabar com a doença em regiões consideradas de risco na América do Sul nos próximos cinco anos.
Segundo o representante do setor privado brasileiro no grupo, Sebastião Guedes, os recursos serão investidos na realização de um cadastro confiável sobre as propriedades, na elaboração de um sistema de controle de trânsito de animais e em cursos de extensão voltados aos pequenos produtores.
Guedes informou que deverão ser aplicados cerca de US$ 9 milhões por ano nas regiões do Chaco (norte da Argentina e Oeste do Paraguai), nas fronteiras do Brasil e Paraguai e entre Brasil e Bolívia, além de regiões do Equador e Venezuela.
Com o objetivo de avaliar as ações do Brasil e discutir formas de cooperação no combate à aftosa, um grupo de 14 representantes do agronegócio dos Estados Unidos (oito do setor privado e seis do Departamento de Agricultura) reuniram-se ontem em Brasília com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
- A vinda de líderes privados acompanhando o Giefa para conhecer nossa realidade é fundamental para que essa transparência ocorra permanentemente - disse o ministro após o encontro.
A comissão que esteve em Brasília chegou ao país na noite de terça-feira. Ontem, eles visitaram o laboratório do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), no Rio de Janeiro, para conhecer o trabalho de produção de vacinas, e hoje seguirão divididos em três grupos para a Bolívia, Paraguai e Equador.
Em Brasília, o grupo também esteve reunido com a diretoria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Guedes destacou a preocupação nos Estados Unidos com a doença no hemisfério porque o país, maior produtor de carnes do mundo, teve a erradicação da doença feita há 70 anos e, assim, não há vacinação nos dias atuais.
Diante disso, os prejuízos em caso de contaminação naquele país poderiam chegar a US$ 50 bilhões em dois anos.
Além dos EUA, também têm forte interesse em erradicar a doença o Brasil, a Argentina e o Uruguai, que são exportadores de carne.
O presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte, da CNA, Antenor Nogueira, avaliou que o país só tem a ganhar com o controle proposto pelo Giefa para a eliminação da doença no continente.