Título: Caçada antes da morte
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 28/01/2006, País, p. A5
Antes de atirar em Sandra Gomide, o ex-diretor de redação de O Estado de S. Paulo Pimenta Neves prometeu não mais importuná-la. A palavra não foi honrada. Culminou com o assassinato da também jornalista e ex-namorada. O crime foi o desfecho de uma caçada empreendida por Pimenta. Sandra Florentino Gomide se conheceram em 1995 na redação da Gazeta Mercantil quando ela era repórter e ele, diretor. Dois anos depois, começaram a namorar. O pai de Sandra não aprovou o relacionamento. Ponderava que se tratava de um homem 31 anos mais velho, dois anos a mais que ele próprio. O jornalista, contudo, passou a freqüentar a casa no Jardim da Saúde, Zona Sul de São Paulo e o sítio em Ibiúna.
Em 1997, Pimenta deixou a Gazeta rumo ao Estadão. Manobrou para que Sandra fosse demitida. Tentou contratá-la por seis meses, até que ela cedeu. Virou repórter especial.
Em outubro de 1999, Sandra foi promovida a editora de Economia. O casal rompeu o namoro pouco depois. Pimenta disse ter descoberto que Sandra se apaixonara por jornalista equatoriano. Conseguiu ler a mensagens de e-mail entre ela e o estrangeiro. Decidiu demiti-la.
Os dois discutiram. Pimenta ameaçou-a. Barrou três propostas de emprego que ela havia recebido. Duas semanas antes do crime, invadiu o apartamento da ex-namorada. Xingou-a, deu-lhe dois safanões e a ameaçou de morte.
Depois do assassinato, Pimenta ligou para o jornal, pediu que não fosse dada manchete para o crime. Numa demonstração de autoritarismo, mostrou-se irritado com os ritos de seu processo penal e gritou com promotores e delegados. Pimenta não perdera a pose.