Título: Golpe milionário com caixa dois falso
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 07/02/2006, País, p. A5

A Polícia Federal desbaratou uma quadrilha que forjava um caixa dois de campanha eleitoral para trocar dinheiro falso por verdadeiro. O golpe era aplicado há mais de sete anos em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso e no Norte do país.

Um dos integrantes da quadrilha passava-se por um senador ou deputado falso, Guimarães, para iludir as vítimas. Elas recebiam ligações do suposto gabinete do político.

Um dos envolvidos dizia ter dinheiro frio de sobras de campanhas eleitorais. A vítima levava vantagem: para esquentar R$ 100 receberia R$ 300. Mas o dinheiro era falso.

Para ganhar a confiança das vítimas, o ''político'' entregava, no primeiro encontro, dinheiro de verdade. Depois, a pessoa recebia uma maleta tipo 007 com as notas falsas. O golpe rendeu cerca de R$ 2 milhões à quadrilha.

A ação da Polícia Federal levou seis meses de investigação e envolveu 50 policiais. Foram presos, por desacato e porte ilegal de armas, os irmãos Elias José da Silva e Getúlio da Silva, Francisco de Lima e José Pinto.

A PF pede para que as vítimas prestem depoimento para que seja decretada a prisão dos envolvidos. As investigações continuam.

O delegado da operação, Wesley de Almeida, descarta no momento a participação de políticos ou assessores.

Em outro escândalo envolvendo caixa dois, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse não ver motivo para convocar o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, para depor. O mesmo valeria para o publicitário Duda Mendonça. Toledo é suspeito de beneficiar candidatos nas eleições de 2002.

- Isso não é assunto nosso, deveria ser investigado por uma CPI específica - disse Serraglio.

A PF investiga uma lista com nomes de 156 políticos de 12 partidos que teriam recebido dinheiro em 2002. O documento, uma cópia, é assinado pelo ex-diretor de Furnas.