Título: Palocci quer atrair estrangeiro para baixar juro
Autor: Viviane Monteiro e Mariana Carneiro
Fonte: Jornal do Brasil, 07/02/2006, Economia & Negócios, p. A20

Depois de o ministro Antonio Palocci ter repreendido recentemente o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, por ter dito que a política monetária causava ''constrangimento'', chefe e subordinado demonstraram ontem que o discurso voltou a ser afinado. Presentes a eventos diferentes, no Rio e em São Paulo, ambos revelaram que o governo vem se empenhando para implementar a redução na tributação do investidor estrangeiro com o objetivo de reduzir a taxa básica. Segundo Palocci, que estava em seminário em São Paulo, a redução tributária seria proporcionada nas negociações de títulos de renda fixa.

- A medida estenderá no país os efeitos da elevada liquidez mundial. Sua entrada maciça no mercado interno nos ajudará a construir uma curva de juros de longo prazo, que ainda não é consistente no nosso mercado, além de obter uma evolução mais significativa da dívida externa - diz Palocci.

No Rio, Levy comentou que o governo ''está sensível'' à proposta de isentar do Imposto de Renda os ganhos obtidos por estrangeiros nas aplicações em títulos de renda fixa, principalmente em papéis da dívida pública. Segundo ele, o setor produtivo compreende o impacto dos investimentos estrangeiros na curva brasileira de juros, que acaba sendo forçada para baixo.

- Claro que não é uma conseqüência imediata, mas no atual ritmo, é bem provável que no ano que vem a taxa seja a menor dos últimos 30 anos, acelerada, principalmente, pela abertura da economia aos investidores estrangeiros.

Palocci, que participou do seminário ''É um possível um crescimento rigoroso?'', reconheceu o efeito da política monetária e da crise política no baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas pelo país) de 2005, projetado em 2,5%. Segundo ele, porém, a taxa média de crescimento da economia durante o governo Lula deverá ficar acima da média histórica, de 3%. Em sua opinião, para crescer em níveis semelhantes à media mundial, basta ''haver interesse e ajuda do governo''.

Palocci afirmou que somente um ''acordo social'' para a redução dos gastos públicos e um melhor direcionamento desses recursos poderá assegurar um crescimento vigoroso nos próximos anos.

- Podemos gastar melhor, gastar menos e fazer um esforço fiscal nos próximo anos.

Em sua avaliação, as condições verificadas na economia em 2005 são fundamentais para permitir crescimento de longo prazo nos próximos anos. Como fatores positivos, ele destacou o processo de redução da taxa básica de juros iniciado em setembro pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a queda no desemprego, a boa performance do mercado de capitais, a administração da dívida pública e o controle da inflação.

- O país conquistou um mercado de capitais bastante moderno e o Brasil não pode parar - comentou, acrescentando também que a vulnerabilidade externa do país foi reduzida nos últimos anos.