Título: Espuma importada avança sobre balcão
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 13/02/2006, Economia & Negócios, p. A19
Dólar fraco estimula consumo de cerveja estrangeira sofisticada, que cresce 4% com de maior oferta em bares e supermercados
A cerveja que o brasileiro apreciou no ano passado ganhou novos gostos e aromas. Com a desvalorização do dólar em relação ao real, as bebidas importadas ganharam forte espaço em restaurantes, bares e supermercados de todo país. Com crescimento de cerca de 10% nas importações, a alta impulsionou em parte o consumo per capita do segmento em 2005, que cresceu 4,2%. A duas semanas do Carnaval, período estratégico para o setor, as marcas internacionais devem responder por cerca de 10% das vendas em redes de supermercados. Com ações promocionais, os preços das importadas chegaram a cair até 15% em relação ao ano passado.
De acordo com cálculos do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o consumo anual por habitante passou de 46,6 litros, em 2004, para 48,6 litros, no ano passado. As vendas das marcas nacionais subiram 3,8%. Em algumas distribuidoras de cerveja, o crescimento nas vendas chegou a 30%. Com preços estabilizados, por conta do dólar fraco, as grandes marcas conhecidas lá fora voltam ao Brasil, competindo no mercado de alta renda.
Para Marcos Mesquita, superintendente do Sindicerv, as importadas estão aproveitando um nicho que ainda é pouco explorado no Brasil: as superpremium. Na sua avaliação, as importadas estão competindo com as nacionais, que não possuem muita oferta. As marcas internacionais, por exemplo, representam apenas 0,05% do mercado nacional, movimentando cerca de US$ 5 milhões por ano. Dentro do segmento premium, elas respondem por cerca de 10%.
- A questão cambial ajudou. Do outro lado, começamos a notar que as companhias nacionais começam a olhar para esse nicho de mercado. Há um potencial de consumo muito grande no país, já que cerca de 12% da população faz parte das classes A e B. O segmento premium representa apenas 4% do setor - endossa Mesquita.
Para Mesquita, o aumento do consumo per capita reflete a estabilidade do preço médio da cerveja em função da valorização do dólar frente ao real. Segundo ele, 45% do custo da bebida são atrelados à moeda americana, por conta da matéria-prima usada na fabricação do produto. Em 2005, o preço da cerveja nacional subiu 4,5%, em média, acompanhando os índices de inflação.
Na Reloco, a maior importadora do país, os negócios aumentaram mais de 10%. Com o dólar ainda em queda, a expectativa é de alta de 20% nas compras externas este ano. Na empresa, com distribuição em mais de 250 pontos comerciais, as campeãs de vendas foram a mexicana Dos Equis, da Cuacuhtemoc Moctevuma, e alemã Paulaner, da Baviera. Uma similar estrangeira oscila entre R$ 9 e R$ 16 a lata.
- O aumento nas vendas não foi apenas uma questão cambial. O consumidor brasileiro está mais exigente. E com a queda do dólar, os preços pararam de subir. Ainda estamos recuperando margens. No Carnaval, o consumo será bom. Por isso, estamos olhando para as marcas americanas - explica Luis Ricardo Silva, diretor da Reloco.