Título: Consumo de energia cresce mais que PIB
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Fonte: Jornal do Brasil, 04/02/2006, Economia & Negócios, p. A20

Desaquecida, indústria reduz demanda

O consumo de energia elétrica fechou o ano de 2005 com alta de 4,6% e a demanda ficou em 335.411 GWh (gigawatts-hora), segundo dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O acréscimo, em 2005, de 14.639 GWh equivale ao consumo de energia da cidade do Rio de Janeiro em todo o ano passado. O destaque negativo ficou com o crescimento do consumo industrial abaixo do esperado. Em novembro, a EPE já havia comunicado uma redução na projeção de crescimento para 2005 de 5% para 4,5% em razão do desempenho do segmento de consumo industrial, influenciado pela desaceleração da economia a partir do terceiro trimestre. Neste período, a economia brasileira teve retração de 1,2%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em 2005, o consumo do segmento industrial cresceu 2,4%. Em 2004, ele havia expandido 7,3%. Além da retração da economia no terceiro trimestre, a EPE ressalta o fraco desempenho do agronegócio brasileiro, em especial no Sul do país, afetado pelo fenômeno da estiagem, e a queda na produção têxtil e calçadista destinada à exportação.

Ao contrário de 2004, quando a expansão do consumo de 4,7% havia sido puxada pela indústria, os principais responsáveis pelo crescimento do consumo de energia elétrica em 2005 foram os segmentos residencial e comercial. O consumo residencial, que representa 25% do mercado nacional, cresceu 5,4% em razão do aumento do número de unidades consumidoras. Na região Nordeste, o aumento foi puxado pelo programa Luz para Todos. Em todo o país, houve uma expansão de 1,7 milhão de novas unidades consumidoras.

O consumo comercial cresceu 7,2% em relação a 2004. A expansão deste segmento, que reúne comércio e serviços, foi puxada pelo aumento do turismo e pelo incremento das atividades portuárias, relacionadas ao comércio exterior.

A EPE destaca que o segmento comercial tem sido afetado positivamente pelo aumento do turismo, o que significa maior demanda do setor hoteleiro. Dados do Banco Central, do Ministério do Turismo e da Embratur mostram que a receita de turistas estrangeiros no Brasil deve somar US$ 4 bilhões em 2005, o que representa aumento de 25% em relação a 2004.

Para este ano, o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, aponta que o crescimento do consumo de energia não deve ultrapassar a marca de 5,1%, mas garante que a oferta de energia elétrica é suficiente para atender um crescimento mais forte da economia.

- Se o PIB crescer a uma taxa anual de 5% nos próximos cinco anos ainda estaremos em situação tranqüila [quanto à oferta de energia]- disse.

De acordo com Tolmasquim, não há relação direta entre crescimento do Produto Interno Bruto e consumo de energia.