Título: Nativos não conheciam a região
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 08/02/2006, Internacional, p. A14
O alto grau de preservação desse universo à parte que acaba de ser descoberto impressionou até a equipe de cientistas que participou da expedição.
- Não havia nenhum rastro de civilização ou de alguma comunidade - afirmou Bruce Beehler, vice-presidente do Centro Melanésia, acrescentando que dois indígenas das tribos nativas Kwerba e Papasena acompanharam o trabalho de campo. - Eles se impressionaram com o quanto a região era isolada. Até onde sabiam ninguém jamais havia ido até lá - disse o cientista.
Uma das razões para a ausência completa de presença humana na floresta é que pouco mais de cem pessoas vivem na região. Além disso, a caça na base da montanha é tão abundante que as tribos não têm motivo para buscar comida no interior da mata.
Segundo o pesquisador, a descoberta não representa ameaça imediata à conservação da área, que tem status de santuário ecológico. Em tese, isso significa que está em uma zona protegida por lei.
- Não são concedidas autorizações que permitam a entrada na floresta, não há sistema de transporte nem estradas - afirma Beehler, antes de acrescentar que teme as ameaças que virão nas próximas décadas, sobretudo em função da crescente demanda por madeira em países que são grande consumidores, como China e Japão.
- O investimento-chave está nas comunidades locais. Seu conhecimento e tradição oral são extremamente importantes. São os guardiões da floresta que vão tomar conta de seus bens - opina Beehler.
Segundo a organização World Wild Fund for Nature, que não tem ligação com o projeto, encontrar novas espécies na região, conhecida pela sua rica biodiversidade, não é incomum. Muitos outros animais ainda não foram identificados na Indonésia.
Papua é cenário de uma rebelião separatista de décadas que já deixou cerca de 100 mil pessoas mortas, sendo uma das províncias mais remotas do país, em termos políticos e geográficos. Além de ter acesso restrito à estrangeiros. A equipe preciso de seis autorizações do governo para realizar a expedição. A região gozou de importância estratégica apenas durante a II Guerra Mundial.
O coordenador de programas da Conservation International Indonesia, William Marthy, adianta que as mais de 50 espécies descobertas ainda passarão por um processo de certificação acadêmica. Segundo ele, será necessária uma revisão antes que sejam aceitas oficialmente. Marthy reconhece que este processo ainda pode demorar anos.
- Creio que haja algumas áreas assim na África e certamente na América do Sul - avaliou.