Título: Préval é festejado no Haiti
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Fonte: Jornal do Brasil, 12/02/2006, Internacional, p. A16
Milhares de haitianos das comunidades de Porto Príncipe, antes mesmo do fim das apurações, já comemoravam ontem nas ruas a vitória do candidato René Préval, que lidera a eleição presidencial após dois terços dos votos apurados. Entoando gritos como ''Préval presidente'' e ao som de tambores, os manifestantes caminharam pelas comunidades pobres rumo ao palácio presidencial.
O ex-presidente Préval, de 63 anos, é considerado um herói por milhões de haitianos pobres. Com mais da metade dos votos apurados, ele tinha a preferência de 50,3% do eleitorado, com grande vantagem sobre seus adversários. Para que não haja segundo turno, ele precisa conseguir maioria absoluta, ou seja, 50% mais um voto.
Grupos barulhentos e coloridos de diversos bairros festejaram. Formados por milhares de pessoas, eles caminharam pelas ruas da capital comemorando o resultado.
- Préval ganhou - afirmava Eddie Dorsalville, de 38 anos, um dos populares que tomaram as ruas.
Gilbert Vil, de 30 anos, também estava eufórico.
- Préval é o messias - afirmou, enquanto caminhava com cerca de mil manifestantes que desceram de Bel-Air, uma área carente nos arredores do palácio presidencial.
- Préval nos dará o que precisamos: emprego, escolas, justiça e alimentos - disse Gilbert, esperançoso.
O clima de festa se estendeu ao violento bairro de Cité Soleil, onde aproximadamente 300 mil pessoas vivem em condições miseráveis. Tiros foram disparados, mas não houve mortos. O secretário-geral do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti, Rosemond Pradel, pediu que a população não se manifeste até a publicação dos resultados finais, que podem ser anunciados hoje.
- Pedimos às pessoas que mantenham a calma e não se manifestem nas ruas, já que isto poderia pressionar aqueles que estão realizando a apuração - disse Pradel.
O Haiti está sob controle de uma força de paz da ONU desde 2004, a Missão de Estabilização no Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil, enviada ao país após uma revolta popular que derrubou o antigo presidente Jean Bertrand Aristide.