Título: Na trilha do dinheiro sujo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 15/02/2006, Opinião, p. A6
Em entrevista esta semana ao Jornal do Brasil, o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues, descreveu as atividades do órgão, prometeu enfática ação contra a lavagem de dinheiro e anunciou a preparação de novas resoluções para tornar mais rígidas as regras de controle sobre o setor imobiliário. Pelo que demonstrou nos dois anos que vem dirigindo o Coaf, há inúmeras razões para acreditar nas palavras de Rodrigues. Ligado ao Ministério da Fazenda, o órgão se tem mostrado um dos mais relevantes para a desejada transparência na vida brasileira. Configura hoje um monumental instrumento de combate à lavagem de dinheiro no país. Contribui para cortar as veias abertas da livre circulação de dinheiro sujo e da corrupção.
A importância do Coaf já foi ressaltada por um estudo do Escritório das Nações Unidas para o Controle e Prevenção de Drogas, segundo o qual o conselho contribuiu para ampliar a consciência da sociedade em relação ao problema. Convém sublinhar um lamento do presidente do Coaf: o descaso de alguns setores da economia em colaborar para conter o crime de lavagem de dinheiro.
Apesar das dificuldades pela estrutura de que dispõe, o órgão está na trilha certa. E sua atuação será ainda mais relevante se estiver em sintonia com os ministérios da Justiça e da Fazenda, Banco Central e Ministério Público. Com isso, o Brasil dará um salto gigantesco para romper uma deficiência congênita da burocracia: a lentidão na recuperação das somas astronômicas drenadas para fora do país.