Título: Estado é cobrado
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Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2006, Rio, p. A11

O mais novo capítulo da guerra do tráfico na Rocinha, ontem, mostrou outra vez que o estado vem falhando no combate à violência no Rio. Para a socióloga Julita Lengruber, a política de segurança não pode ser reativa. Diante do quadro que vive a cidade, onde há mais de 700 favelas, o poder de polícia precisa ser acompanhado de ações sociais do governo. - O Estado precisa estar presente, com ações nas áreas de saúde, educação e outras. Se não for assim, vamos continuar vivendo essa situação. É preciso entender que não basta apenas ocupar a favela depois de uma guerra - afirmou a socióloga.

Na avaliação do historiador e pesquisador da ONG Justiça Global, Marcelo Freixo, o governo estadual vem aplicando uma política de segurança excludente. Para Freixo, essa política, por exemplo, não considera a Rocinha como zona de planejamento.

- As condições de vida da favela propiciam a violência, e o Estado precisa fazer parte do dia-a-dia da comunidade. O secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, encara a favela como o capitão do mato olha para a senzala. O que aconteceu ontem foi um erro de ortografia: não foi problema na Rocinha, mas da Rosinha (a governadora do Rio) - comentou.