Título: Movimento começou com 300 pessoas
Autor: Josie Jeronimo
Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2006, País, p. A2
As verbas do governo para apoio às paradas gays são irrisórias perto do montante movimentado na organização de um evento de grande porte. O Ministério da Saúde prevê R$ 30 mil para a maior parada do mundo, a de São Paulo. Os organizadores queixam-se de que o dinheiro não é suficiente nem mesmo para a montagem de estandes de conscientização sobre a importância do uso de preservativos. No ano passado o evento da capital paulista reuniu mais de 2 milhões de pessoas e custou R$ 1,5 milhão. Ou seja, nem mesmo toda a verba do ministério para o Brasil inteiro pagaria a parada. O primeiro encontro de militantes homossexuais aconteceu em 1998 e reuniu apenas 300 pessoas. No ano seguinte, o governo federal começou a apoiar os movimentos de orgulho GLBT. Até 2002, no entanto, a ajuda se resumia a questões de infra-estrutura. Com o crescimento das paradas e a repercussão internacional, o Estado entrou na parceria.
Em São Paulo, o apoio da prefeitura também se restringe à organização do trânsito e esquema de segurança para os participantes do evento. Este ano, os organizadores da parada enfrentam conflito com a prefeitura. O encontro gay é realizado tradicionalmente no feriado de Corpus Christi. A data coincide com um jogo do Brasil na Copa do Mundo, em um domingo. Assim, responsáveis pela organização querem transferir a parada para o dia 17 de junho, sábado. A prefeitura acha inviável parar a avenida paulista neste dia. Os organizadores ameaçam transformar o caso em disputa política.