Título: Delcídio chora na CPI
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2006, País, p. A4

O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), chorou ontem depois de contar à comissão o conteúdo de uma carta anônima com ameaças a ele e à família. Delcídio ouviu durante cerca de 40 minutos manifestações de solidariedade dos integrantes da comissão. Os depoimentos deixaram Delcídio em lágrimas. Segundo o senador, a carta, além das intimidações, descrevia com detalhes a rotina de sua casa, como horários da família. O senador comunicou os fatos ao ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e ao serviço de inteligência da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

O caso acabou atrasando o depoimento do ex-diretor de Furnas Centrais Elétricas, Dimas Toledo. Ele negou participação na confecção da lista de 156 políticos que supostamente receberam R$ 40 milhões desviados da estatal. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), confirmou que os trabalhos da comissão se encerram sem a investigação da lista de políticos.

¿ Não vamos ter tempo para investigar o episódio Furnas ¿ afirmou. Dimas Toledo foi ouvido na condição de investigado. Ele conseguiu liminar no Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantiu o direito de ficar calado. A assinatura do ex-diretor aparece na lista que chegou às mãos da Polícia Federal.

¿ Trata-se de uma montagem, ou uma falsificação, cheia de não conformidades, que visam unicamente manchar os nomes das pessoas e empresas ali listadas. Afirmo que nunca ajudei financeiramente com recursos de qualquer empresa ou de qualquer outra origem nenhum parlamentar, nem as pessoas ali nominadas ¿ afirmou Dimas.

O ex-diretor garantiu que nunca se encontrou com o lobista Nilton Monteiro, que teria o original da lista. Explicou que ¿ antes da divulgação da lista, no início de 2003 ¿ o lobista mostrou interesse em intermediar um contrato da empresa paulista JP Engenharia com Furnas, que não chegou a ser assinado.

No início de 2004, Nilton tentou falar com Dimas em Furnas e ¿ sem conseguir a audiência ¿ teria ameaçado uma das secretárias da empresa de energia elétrica. Ainda segundo Toledo, Nilton se dizia influente junto ao PT, e ameaçava recorrer ao presidente Lula para mudar a direção de Furnas.

Dimas acredita que Nilton pode ter colhido informações na internet e no Ministério Público para montar a lista. O ex-diretor admitiu ter tido ¿problemas com contratos de mão-de-obra¿ em Furnas. Admitiu também que seus filhos prestaram serviços a Furnas.

O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), acha que a chamada lista de Furnas é um caso para ser enviado ao Ministério Público, no final da CPI.

Os parlamentares irão utilizar o tempo que resta para cruzar os dados da conta bancária do publicitário Duda Medonça, que devem ser disponibilizados para o Congresso semana que vem.