Título: Data para eleições é mudada
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 22/11/2004, Internacional, p. A8
Por segurança, a comissão eleitoral do país altera dia do pleito para 30 de janeiro
As primeiras eleições no Iraque na era pós-Saddam Hussein serão no dia 30 de janeiro, anunciou ontem a comissão eleitoral responsável pela organização da votação. A data foi divulgada um dia antes da conferência internacional de Sharm el-Sheikh (Egito), sobre o futuro do país árabe.
- As eleições gerais acontecerão no dia 30 de janeiro de 2005 - confirmou firmou, em Beirute, Farid Ayar, porta-voz da Comissão Eleitoral Iraquiana. Inicialmente marcada para o dia 27 de janeiro, o adiamento do pleito foi atribuído a ''razões de segurança''.
As eleições devem designar uma Assembléia Nacional, um Parlamento autônomo para o Curdistão iraquiano e conselhos provinciais. O novo governo também terá a missão de redigir uma nova Constituição para o Iraque.
O presidente da Comissão, Hassan Hendaui, pediu ontem às Nações Unidas que estimule as organizações internacionais a enviarem observadores para as eleições.
O porta-voz da comissão, Farid Ayar, desmentiu os boatos de que o representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, Lakhdar Brahimi, estaria mantendo contatos com partidos e movimentos políticos iraquianos para um eventual adiamento da votação.
- São puras especulações - disse Ayar.
Organizações e partidos políticos sunitas iraquianos pediram à população que boicote as eleições em protesto contra a ofensiva militar lançada à cidade rebelde de Faluja, onde em duas semanas centenas de rebeldes morreram.
O ministro de Defesa do Iraque, Hazem Shalan, afirmou ontem que antes de janeiro o governo interino acabará com todas as células terroristas que atuam no país.
O anúncio da data das eleições foi feito na véspera da conferência sobre o Iraque de Sharm el-Sheikh, que tentará obter um consenso e abordará a questão eleitoral.
Na manhã de ontem, seqüestradores libertaram o primo do primeiro-ministro interino iraquiano Iyad Allawi, que também espera controlar os rebeldes iraquianos até o fim de janeiro.
Em mais um dia de violência, seis pessoas morreram e 12 ficaram feridas na cidade rebelde de Ramadi, 100 km a Oeste de Bagdá, onde os militares americanos procuram insurgentes.
Ao Sul da capital, em Latifiya, bastião sunita, as tropas americanas e iraquianas enfrentaram os rebeldes em confrontos violentos. Nos arredores da cidade, os habitantes encontraram 30 corpos em estado avançado de decomposição.
Várias famílias abandonaram a cidade por temerem uma ofensiva como a que acontece em Faluja, que resultou na prisão de cerca de 1.450 pessoas. Segundo um comunicado militar americano, mais de 500 delas já foram libertadas depois da comprovação de que não eram combatentes.