Título: Conselho de Ética pede cassação de João Magno
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 17/02/2006, País, p. A2
O deputado João Magno (PT-MG) não conseguiu convencer o Conselho de Ética a absolvê-lo. Ontem, por 10 votos contra três, os conselheiros aprovaram o relatório de Jairo Carneiro (PFL-BA), que pedia a cassação por quebra de decoro. Único entre os cinco petistas investigados por envolvimento com o valerioduto a adotar a defesa própria - assumiu a prática de caixa 2 e jogou na conta do partido a irregularidade - Magno ganhou elogios até mesmo de quem votou pela perda do mandato. No pronunciamento que fez minutos antes do anúncio dos votos, João Magno admitiu que errou ao aceitar da direção do PT os R$ 425 mil para quitar dívidas de campanha. Lembrou que só não declarou os recursos a tempo no tribunal eleitoral porque não foi ''insistente o suficiente para cobrar do então tesoureiro da legenda, Delúbio Soares, os recibos das doações''.
- Fui puxado para este furacão. Eles (a direção nacional do PT) se desorganizaram. Quem fez tudo até já pagou. Errei por não ter insistido na cobrança do recibo. E por isso peço perdão - disse.
João Magno já adiantou que não vai recorrer. Do PT, ele só pôde contar com a solidariedade da deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que apresentou voto em separado pedindo pena mais branda. Ao contrário dos outros quatro representados do PT - que receberam a solidariedade de colegas e do líder, Henrique Fontana (PT-RS) - nenhum outro petista apareceu no julgamento.
O caso soou como se o PT já tivesse entregado o colega à degola em troca da salvação de nomes considerados mais importantes da legenda, como João Paulo Cunha (PT-SP) e Professor Luizinho (PT-SP). Aparentemente abatido com a decisão do conselho, Magno disse não ter se sentido abandonado.
- Corro o risco de ser sacrificado, mas acredito no bom-senso do plenário - afirmou.
Magno também questionou o relator Jairo Carneiro, que na semana anterior defendeu com veemência o colega de bancada Roberto Brant (PFL-MG), acusado de receber R$ 105 mil da Usiminas, por meio das contas de Marcos Valério.
- São dois pesos e duas medidas. Só porque ele é um ex-ministro e tem prestígio? - questionou Magno.
Jairo Carneiro justificou o voto afirmando que os recursos destinados a Brant vieram da Usiminas, uma instituição privada. No caso de Magno, a fonte era o valerioduto.
O raciocínio de equiparar os casos dos dois parlamentares mineiros recebeu apoio de alguns no conselho. Mesmo votando pela cassação do petista, Orlando Fantazzini (PSOL-SP) elogiou a conduta de Magno.
- Sei que o senhor não é corrupto, e foi vítima de seu partido. Não se escudou atrás de ninguém. Mas minha consciência não me permite votar ao sabor das conveniências - afirmou.
Fantazzini chegou a afirmar que trabalharia no plenário para que os 513 deputados não julgassem o PT e sim a postura isolada de Magno. Deixou nas entrelinhas que seu voto poderá ser pela absolvição do petista.