Título: Ministros só pensam naquilo
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/02/2006, País, p. A6
Os ministros que pretendem deixar o governo para se candidatar às eleições de outubro só aguardam uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir os rumos do seu futuro político.
Lula deve estender a resolução até o fim de março, quando termina o prazo para que os ocupantes de cargos no Executivo deixem os postos onde atuam e possam concorrer.
Depois que os ministros abandonarem seus postos, Lula estará livre para preencher as vagas. Isso lhe garantirá mais apoio em seu último ano de primeiro mandato, além de facilitar novas alianças com vistas à tentativa de reeleição.
A margem de manobra, no entanto, pode não ser muito grande, uma vez que muitos aliados também deverão disputar as eleições e o interesse dos partidos por indicar técnicos para os ministérios pode ser pequeno.
Pelo menos sete ministros, de acordo com seus assessores, alimentam pretensões eleitorais ou estão prontos para eventuais missões nas eleições de outubro.
O ministro petista Jaques Wagner (Relações Institucionais), que deseja concorrer mais uma vez ao governo da Bahia, é um dos que aguardam o apoio do presidente Lula.
No seu caso, a saída é delicada, uma vez que ele está acompanhando votações programadas, como a do Orçamento da União, já atrasado. Mesmo no fim de março, sua substituição poderá trazer dificuldades ao presidente. Sua articulação junto ao Congresso tem sido uma das menos bem-sucedidas deste governo.
O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, é outro que já apresentou pedido de saída ao presidente. Alencar diz que não será candidato, mas quer estar livre para decidir.
- Eu não quero me candidatar a nada, não sou candidato, mas não quero entrar na situação de não poder ser - disse Alencar semana passada, quando ocupava interinamente a Presidência, quando Lula estava em sua viagem à África.
A situação do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, envolve Lula duplamente. Ciro é um dos nomes que estão sendo cogitados como opção adequada para concorrer como vice na chapa do PT.
Ao ser perguntado se estaria disposto a deixar o governo para assumir esse papel, Ciro simplesmente desconversou.
- Pelo meu gosto, fico quieto e saio da política por algum tempo - respondeu. - Mas os interessados devem dirigir essa pergunta ao presidente da República.
Além de Ciro, Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Jaques Wagner compõem o elenco das opções de Lula para a coordenação de sua provável candidatura a um segundo mandato.
Os quatro participam da coordenação de governo, que o presidente não deseja muito ver desfalcada. Desse grupo, Dilma Rousseff (Casa Civil) e Márcio Tomaz Bastos (Justiça) permanecem seguramente nos postos até o final do governo.
Paulo Bernardo, do Planejamento, está articulando com o PT do Paraná para tentar voltar à Câmara dos Deputados no próximo ano, mas também aguarda um sinal verde do presidente.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PL), por sua vez, já garantiu que deixa a pasta para disputar as eleições, mas o cargo ainda não está decidido.
Ele poderá concorrer ao governo ou ao Senado pelo Amazonas, seu Estado de origem. Um assessor próximo diz que a decisão sai logo depois do Carnaval.