Título: Ministro da Justiça articula desfecho técnico nas CPIs
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Fonte: Jornal do Brasil, 19/02/2006, País, p. A7
Nas últimas semanas, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que tem atuado informalmente na articulação política do governo Lula, conversou com caciques da oposição, como o atual prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O tema principal das conversas foi o fim das investigações no Congresso para uma mudança da agenda política do país que possibilite o início do processo eleitoral.
Nos contatos, a maioria por telefone, representantes do governo e da oposição têm falado sobre as CPIs dos Correios e dos Bingos. Em conversas cautelosas, Bastos e seus interlocutores demonstram estar dispostos a mobilizar-se para que as investigações parlamentares cheguem ao fim com a apresentação de relatórios eminentemente técnicos. Governo e oposição não querem que as CPIs acabem em pizza, até porque as investigações da Polícia Federal indicam o sentido contrário.
Sem firmar um acordo tácito, representantes do governo, PSDB e PFL querem que as CPIs deixem de ser usadas para politizar as investigações. As comissões devem indicar punições para os envolvidos em irregularidades, mais que absolver os inocentes. Tem pesado também na aproximação política a chegada do prazo final para marcação de candidaturas e desincompatibilização de cargos públicos em 31 de março.
Bastos, Serra, Tasso e ACM são amigos e costumam manter contato entre si, mas as conversas têm sido mais freqüentes desde a intensificação das investigações sobre supostas irregularidades em Furnas Centrais Elétricas.
Em um inquérito sobre possíveis ilegalidades na estatal, a PF investiga a lista que mostraria políticos da ala dos governistas ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles teriam sido beneficiados por um suposto esquema de caixa 2 montado na empresa. Essa investigação chegou agora à CPI dos Correios, onde depôs na última quarta-feira o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, suposto autor da lista. Negou qualquer envolvimento e foi taxativo ao dizer que a relação com os nomes é uma fraude.
As negociações, ao que tudo indica, estão dando certo. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), tem afirmado com freqüência que os integrantes da comissão estão trabalhando para que as investigações sejam encerradas até o dia 20 de março. E tais afirmações não têm provocado reação na oposição.
Por outro lado, o inquérito que apura o mensalão, em curso na Polícia Federal, também deverá ser concluído paralelamente à comissão. Conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelo suposto envolvimento de ministros e deputados federais nas irregularidades, a investigação teve seu prazo vencido na última quarta-feira.
Segundo policiais federais ligados à apuração do caso, há um acordo entre STF, Ministério Público Federal e PF para que o processo só retorne ao ministro relator, Joaquim Barbosa, após o carnaval, quando deverá receber nova prorrogação de prazo que permita a continuação das investigações até o fim de março.