Título: Em pé de guerra
Autor: Fernando Nakagawa
Fonte: Jornal do Brasil, 19/02/2006, Economia & Negócios, p. A19

Se a visão do economista é positiva, os industriais paulistas continuam com o discurso cada vez mais firme de que há motivos suficientes para o pessimismo. - Vemos três coisas: queda da produção, desemprego e eventualmente algumas falências - enumera o diretor de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca. Para ele, os setores que devem sofrer primeiro são aqueles que usam mão de obra intensiva, como alimentos, autopeças, calçados, móveis e têxteis.

Gianetti, que usa o termo ''dramático'' para classificar as perspectivas da indústria em 2006, deixa, no entanto, escapar uma perspectiva não tão negativa para as indústrias. Segundo ele, apesar do quadro ruim, as vendas brasileiras para o exterior devem crescer em 2006.

- Depois de as nossas exportações terem crescido acima da média mundial por cinco anos, vamos ter desempenho mais baixo. Na média mundial, as exportações devem crescer entre 14% e 15%, mas no Brasil, vamos ter aumento de menos de 10% - disse.

Outro que demonstra ceticismo com a reação do mercado interno é o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Elcio Jacometti.

- Ainda estamos fazendo o balanço inicial da Feira Internacional de Las Vegas, que terminou em 13 de fevereiro, mas a avaliação é negativa e, com certeza, fechamos menos negócios que na edição passada. Agora, com a perspectiva de continuidade da queda do dólar, devemos acelerar as demissões - disse o representante do setor que demitiu mais de 20 mil demissões nos últimos meses.

Os cortes são fruto de queda de 17% nas exportações do ano passado na comparação com 2004.

- Já havíamos avisado o governo que o processo de demissões deve ser acelerado com esse dólar - disse.

Sobre a reação do setor ante a perspectiva de que o dólar mantenha trajetória ladeira abaixo, Jacometti parece ''jogar a toalha''.

- Vamos fazer uma reunião nesta segunda-feira (amanhã) para decidir o que vamos fazer. Mas agora não sei se eu voltaria a me reunir com o governo. Infelizmente, desse jeito não dá mais para continuar. Fica difícil. Para não ter resultado, não adianta perder tempo - diz.