Título: Tudo para fazer história
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 22/02/2006, País, p. A2

Em plena campanha não-declarada à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não está preocupado com pesquisas nem com seus adversários políticos. Na prática, porém, em evento oficial em Juazeiro (BA) comportou-se como candidato e mais uma vez disse que os feitos do governo são inéditos na história.

- Duvido que desde o dia em que o Brasil foi descoberto teve algum governo que cuidou mais dos pobres da Bahia do que nós estamos cuidando neste governo. Duvido - discursou.

O presidente afirmou que o governo está fazendo história ao ''repartir com os pobres o dinheiro arrecadado com os ricos'' e voltou a anunciar uma peregrinação pelo país.

- Vou percorrer cada obra que anunciamos para saber se ela está andando - discursou.

Os eventos de ontem nos municípios vizinhos abriram a série de visitas que o presidente fará até amanhã em obras de novos campi de universidades federais. Em dois dias, Lula percorrerá sete cidades de seis estados. Ontem disse que quatro anos são insuficientes para mudar o país, atacou a ''elite'' que o antecedeu no Planalto.

- Quem é que disse ao boiadeiro que o destino lhe reservou montar num cavalo a vida inteira para correr atrás de uma rês perdida pela caatinga afora? Esse é o destino provocado por uma elite que nunca se lembrou dos pobres - disse.

Ontem pela manhã, em Juazeiro, por alguns momentos Lula se esqueceu do tema do evento para narrar ações do governo e impressões pessoais sobre si mesmo.

Diante do governador baiano Paulo Souto (PFL), primeiro se declarou com o ''coração transbordando de alegria''' por estar na ''querida Bahia''' e que o ''sangue de matuto do Nordeste brasileiro''' corre em suas veias. Depois, ao sugerir que deve ter sido baiano em outra encarnação, conseguiu o inusitado: arrancou aplausos de pefelistas e petistas que se misturavam diante do palanque.