Título: Liberada conta de Duda
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 24/02/2006, País, p. A3

A Justiça dos Estados Unidos autorizou, ontem, o acesso da CPI dos Correios à conta do publicitário Duda Mendonça no exterior, em nome da empresa offshore Dusseldorf. Foi nesta conta bancária que o publicitário admitiu ter recebido R$ 10,5 milhões do dinheiro não declarado pelo PT , referente à campanha de 2002. O pedido para o compartilhamento de dados foi feito pela Promotoria Distrital de Nova York, que já tinha autorizado o envio do sigilo de Duda para a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público. A autorização para o compartilhamento das informações com a CPI deve acelerar os trabalhos da comissão - impedida de acessar a conta em novembro do ano passado.

Ontem, o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), assinou nota conjunta com a secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas, para comemorar a liberação dos dados. Para ambos, a decisão da Justiça americana marca ''uma evolução na cooperação entre os dois países para o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro''.

Os parlamentares escalados pela CPI para acessar os dados da conta de Duda desde ontem estão autorizados a manusear os documentos no Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI), do Ministério da Justiça (MJ), que já tem em seu poder as cópias. O DRCI foi acusado pela PF de dificultar o acesso aos documentos da conta de Duda nos Estados Unidos. Ontem, o governo informou que a decisão para o acesso aos dados é resultado de negociação da CPI, do MJ e do Itamaraty, ''que empreenderam sucessivos esforços neste sentido, incluindo recente missão aos Estados Unidos''.

Uma das estratégias da CPI é recorrer à Polícia Federal para acessar as mesmas informações da conta Dusseldorf, que já foram alvo de análise, cruzamento e investigação. Para alguns parlamentares da comissão, é possível que não haja tempo de analisar as várias caixas de documentos disponíveis no DRCI até o fim dos trabalhos. A comissão deve apresentar o relatório final em março.

Duda foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele confirmou, em depoimento na PF em agosto. A Dusseldorf recebeu depósitos do Israel Discount Bank, da empresa Trade Link, do Bank of New York e do Banco Rural Europa SA. A CPI quer cruzar os dados para descobrir toda a lista de pessoas e empresas que depositaram na conta de Duda e para as quais o publicitário teria distribuído dinheiro.

No novo depoimento que prestou à PF, no último dia 2, Duda disse desconhecer os titulares de três contas bancárias, para quem transferiu US$ 1,13 milhão (R$ 2,4 milhões), em três remessas.