Título: Dados chegam tarde
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/03/2006, País, p. A2

Os integrantes da CPI dos Correios terão acesso, amanhã, aos dados sigilosos das contas do publicitário Duda Mendonça. Foram quatro meses de conversa com o governo dos Estados Unidos, uma viagem de integrantes da CPI para Nova York, interferência do governo brasileiro nas negociações tudo feito na tentativa de convencer as autoridades americanas a liberarem os dados para a CPI. Os documentos, no entanto, chegaram tarde. A CPI dos Correios tem apenas dez dias para processar as informações que estão no Ministério da Justiça. Além do curto período, apenas quatro integrantes da comissão, acompanhados de dois técnicos, terão acesso aos dados do publicitário.

Como antecipou o Jornal do Brasil, mesmo com o sucesso das negociações para analisar os dados sigilosos, os documentos contribuirão pouco para as investigações. Existem 15 mil pastas com informações relativas ao caso. A documentação é um emaranhado de números de contas bancárias, de bancos internacionais e de contas em nome de empresas offshore, criadas pelos lavadores de dinheiro em paraísos fiscais, em nomes de laranjas, para ocultar o patrimônio. Além da complexidade do material, o tempo escasso também é um fator contrário às investigações.

- Realmente dá pra fazer muito pouco - admitiu o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Os dados devem ser lidos, interpretados, copiados e comparados com os depoimentos de Duda prestados à CPI e a Polícia Federal (PF). Só depois disso serão encaminhados à comissão. Diante das dificuldades do tempo exíguo, a CPI dos Correios declarou que a comissão vai se pautar pelos jornais.

- Vamos nos valer do trabalho investigativo dos jornais, do que saiu na imprensa - acrescentou o relator.

A CPI pretende concluir a investigação com um novo depoimento do publicitário. O requerimento da convocação já foi aprovado e o presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS), avisou que só concluirá os trabalhos de investigação depois que Duda for novamente interrogado.

De qualquer forma, admite o relator, caberá ao Ministério Público e à Polícia Federal, que receberão o relatório final da comissão e têm acesso aos dados sigilosos do publicitário, concluir as investigações. De acordo com investigadores da PF, o assunto pode demandar mais um ano de apuração.