Título: Faxina incompleta
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 07/03/2006, Economia & Negócios, p. A17
A decisão de permitir a dedução dos gastos com INSS de domésticos está longe de valorizar o trabalho feminino, como alardeou o governo. E, se realmente quer mudar a situação, precisa começar em casa: no funcionalismo, a diferença de salários entre homens e mulheres chega a 40%, revela o IBGE.
O Estado, que deveria ser o primeiro a promover a justiça entre os sexos, mostra seu machismo ao pagar R$ 1.545 aos homens militares e estatutários, contra os R$ 1.108 que as servidoras levam para casa todo mês. As desigualdades se repetem em todo o mercado. O valor médio pago pela hora de trabalho a quem tem menos de quatro anos de estudo é de R$ 2,60 para homens e de R$ 2,10 para mulheres - defasagem de 24%. No grupo com mais de 12 anos de escolaridade, cada hora é remunerada em R$ 16,40 e R$ 10,10, respectivamente - diferença de 62%. As mulheres têm 7,1 anos de estudo, 0,2 a mais do que os homens, mas sofrem mais ao procurar emprego: a desocupação chega a 11,7%, contra 6,8% no sexo masculino.