Título: Patroa acha pouco
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 07/03/2006, Economia & Negócios, p. A17

A médica Maria Cristina Delfin Almeida, de 44 anos, tem uma empregada com carteira assinada há cerca de oito anos e acha que a medida provisória assinada pelo presidente Lula é pouco estimulante.

- A medida é boa porque acena com a possibilidade de se ter uma vantagem, mas não é o suficiente. No Estado do Rio de Janeiro, onde o salário mínimo é mais alto (R$ 369,45), principalmente. Pagando pelo mínimo, o salário da empregada, com a Previdência Social, está saindo por quase R$ 500. O ideal seria que pudéssemos descontar o salário pago, e não as contribuições apenas - reclama, frustrada após o anúncio de que só as contribuições ao INSS serão objeto de dedução no IR.

Para o professor da UnB Roberto Piscitelli, a medida provisória está longe de ser suficiente para estimular a formalização do trabalho doméstico.

- O governo está vendendo a medida como uma economia, mas, na verdade, o contribuinte terá gastos adicionais. Do ponto de vista financeiro, não existe nenhuma vantagem - afirma, enumerando os gastos com encargos sociais para os patrões que optarem por formalizar a situação de seus empregados domésticos.