Título: Oficial é investigado
Autor: Mariana Filgueiras
Fonte: Jornal do Brasil, 08/03/2006, Rio, p. A6

O serviço de inteligência do Exército investiga a informação de que um oficial do próprio Estabelecimento Central de Transporte (ECT) teria participado do roubo dos dez fuzis e de uma pistola 9mm da unidade, ocorrido na madrugada da sexta-feira passada. Segundo agentes que integram as investigações, o oficial não só teria facilitado a ação do grupo, durante a invasão ao ECT, como também teria auxiliado no planejamento do assalto. - Um mapa detalhado do interior do prédio (do ECT) teria sido produzido por esse oficial e entregue a um ex-pára-quedista, que achamos ser o líder da ação - afirmou o agente.

No mapa estariam a localização exata da sala de armas da unidade e seus acessos.

A suspeita de participação de um militar de patente superior da própria ECT no roubo aumentou não só pela facilidade com que os sete bandidos invadiram o local. Segundo o agente, os sentinelas não reagiram ao perceberem o bando em fuga.

O ex-pára-quedista, apontado como líder da ação da sexta-feira passada, também está na mira das investigações da área de inteligência do Exército. De acordo com os primeiros levantamentos, o ex-militar não teria ligação com qualquer facção criminosa, atuando como mercenário para o tráfico de drogas. Ele teria como base o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Um ex-cabo também é suspeito.

O Exército vem contando com a ajuda dos setores de inteligência da Marinha e da Aeronáutica e da Secretaria de Segurança do Rio. Uma outra informação foi passada ao presidente do Clube de Cabos e Soldados da Polícia Militar, Jorge Lobão. Segundo o informe, as armas estariam escondidas no Morro do São Carlos, no Estácio. O coronel Fernando Lemos, relações-públicas do Comando Militar do Leste, afirma que não há indícios da participação de oficiais na ação.