Título: Quadrilha internacional agia no Rio
Autor: Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 25/11/2004, Rio, p. A13

Grupo que explorava mulheres para shows pela internet tinha conexões nos Estados Unidos e em países da Europa

A quadrilha especializada em explorar shows de garotas brasileiras pela internet, desbaratada por Policiais da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) na terça-feira, está ligada a uma rede internacional de prostituição virtual. Investigações da polícia apontam que o serviço descoberto no Centro do Rio também está sendo oferecido nos Estados Unidos, Rússia, Polônia, República Tcheca e Filipinas. A matriz do site está localizada em Las Vegas. A Polícia Federal e a Interpol deverão ser solicitadas a colaborar com as investigações. Os indícios foram levantados a partir da prisão do americano James Richmond Willacq, do venezuelano Juan Andres e do brasileiro Arnóbio Gomes Pereira, sócios do escritório na Avenida Beira-Mar. Em depoimento na DRCI, eles contaram que os clientes pagavam pelo serviço através de cartão de crédito na internet. Segundo policiais, o dinheiro era depositado na conta da matriz do site, em Las Vegas, e repassado para a conta de Richmond numa agência da Caixa Econômica Federal. James era o sócio majoritário no Rio e responsável pelo pagamento das mulheres.

A polícia também descobriu que James casou-se no Brasil e obteve o visto permanente. O venezuelano Juan Andres estaria com o passaporte irregular. Transferidos para a carceragem da Polinter, os dois estrangeiros e o brasileiro foram autuados por exploração sexual e formação de quadrilha. Além do americano Scott Francis Toucher, a polícia está à procura de dois gerentes brasileiros já identificados.

Nos próximos dias, a DRCI vai pedir autorização ao Ministério Público Estadual para quebra de sigilo de informações dos computadores apreendidos no Centro do Rio. No escritório, os agentes encontraram 10 cabines com câmeras digitais. O acesso ao site só era liberado para pontos fora do país. Vistas em cabines, mulheres de 19 a 30 anos realizavam as fantasias sexuais dos clientes. Consideradas vítimas, as mulheres prestaram depoimento ontem na DRCI.

- Vamos enviar dados que estão armazenados no HD do servidor para ser periciado no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) - informa um inspetor, lembrando que o trabalho será acompanhado por policiais da DRCI.

Segundo a promotora Maria Luiza Cabral, da 26ª Promotoria de Investigação Penal, a casa de prostituição virtual desbaratada pela DRCI é o primeiro caso que ela tem conhecimento no Rio. As investigações da delegacia serão encaminhadas para a Justiça. Os policiais desarticularam a quadrilha depois de receber informações do disque-denúncia (2253-1177). Desde janeiro, o serviço recebeu 50 informações sobre prostituição na internet.

No início do ano, a delegada Martha Rocha, então presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), pediu ao Ministério Público Federal para que os sites com relatos sobre turismo sexual no Rio fossem investigados. Segundo o MP, o caso foi enviado para Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal, no dia 28 de setembro. O órgão federal informou, entretanto, que as investigações correm em sigilo de justiça.