Título: Rivais firmam novo acordo
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Fonte: Jornal do Brasil, 02/12/2004, Internacional, p. A-8

Decisão é esperar sentença da Suprema Corte. Voto de desconfiança no Parlamento destitui o premier Yanukovich Yushchenko, Kuchma e Yanukovich: acordo tem a intenção de manter integridade territorial

KIEV - O presidente Leonid Kuchma, o primeiro-ministro Viktor Yanukovich e o líder da oposição ucraniana, Viktor Yushchenko, firmaram um acordo ontem que garante a retomada das negociações relativas ao impasse instalado no país após as eleições presidenciais de 21 de novembro. A decisão foi anunciada depois que o Parlamento ucraniano aprovara um voto de desconfiança ao atual governo de Yanukovich, declarado vencedor no polêmico pleito do mês passado.

No acordo, a oposição promete acabar com o bloqueio de manifestantes aos prédios públicos e o governo se compromete a voltar a dialogar após a decisão da Suprema Corte, que a qualquer momento pode dar uma sentença anulando as eleições marcadas por acusações de fraudes em favor do premier ucraniano.

Um novo pleito pode ser convocado 24 horas depois da decisão do tribunal superior. Yushchenko e, agora também, Yanukovich defendem a realização apenas do segundo turno, enquanto o presidente Kuchma afirma que o pleito todo deve ser refeito. Os três disseram que o acordo se deve a um esforço conjunto para preservar a unidade territorial da Ucrânia e deter a crise econômica que se instalou no país.

A reunião de ontem começou com a participação de Kuchma e dos presidentes da Polônia, Aleksander Kwasniewski, e da Lituânia, Valdas Adamkus, do alto representante de Política Externa e Segurança da União Européia, Javier Solana, e do secretário-geral da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa, Jan Kubis.

Posteriormente, se juntaram a eles o presidente do Parlamento ucraniano, Volodymyr Lytvy, e os dois candidatos, Yanukovych e Yushchenko.

Apesar do acordo, Yushchenko alertou que se as autoridades não ''jogarem limpo'', a oposição se apoiará na ''indignação popular''.

- Se as autoridades dialogarem de forma aberta e honesta, não precisaremos bloquear as sedes oficiais - disse Yushchenko, que no final da reunião pela primeira vez apertou a mão do rival nas urnas, o primeiro-ministro Yanukovich.

Segundo Javier Solana, a data de uma eventual nova eleição presidencial na Ucrânia não poderá ser determinada antes de um mês. Solana explicou que seria necessário fazer modificações na lei eleitoral ucraniana e que juristas partidários do governo e da oposição começarão hoje a discutir as mudanças.

Pelo terceiro dia consecutivo, a Suprema Corte se encontrou para analisar o pedido de Yushchenko, sobre a ocorrência de fraudes no pleito. Ontem foi a vez do premier recorrer à Corte, pedindo a anulação de votos do oponente em regiões controladas pela oposição.

A aprovação pelo Parlamento do voto de desconfiança, ontem, ocorreu depois de o presidente Kuchma ter anunciado apoio à realização de uma nova eleição em todo o país e não apenas uma nova votação em alguns distritos.

Se Kuchma seguir o Parlamento, terá que demitir Yanukovich e apontar um novo primeiro-ministro, que assumirá o cargo interinamente. O voto de desconfiança foi aprovado por 229 parlamentares, três a mais do que o necessário.