Título: ETA explode bombas pelo país
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Fonte: Jornal do Brasil, 07/12/2004, Internacional, p. A8
Os sete ataques coordenados do grupo separatista basco foram alertados em telefonemas a um jornal e não deixaram mortos No feriado da Constituição Espanhola, data que comemora a volta do país à democracia, o grupo separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA) explodiu sete bombas coordenadas, de pouca potência, em cidades de Norte a Sul do país. A ação foi alertada, como na operação que detonou cinco artefatos em Madri, sexta-feira, com telefonemas uma hora antes ao jornal Gara. Uma criança, uma mulher e três policiais ficaram levemente feridos.
- Mais uma vez a ETA tentou nos amedrontar em um dia especial - afirmou o ministro do Interior, Jose Antonio Alonso. - Mas hoje continuará a ser o Dia da Constituição, não da ETA.
As cidades atingidas, entre 13h30 e 13h50, foram Ávila, Valladolid, León, Santillana del Mar, Málaga, Ciudad Real e Alicante. Os locais, a maioria restaurantes localizados em praças ou áreas que continham no nome a palavra ''Espanha'', haviam sido isolados, mas houve comoção e caos. Além disso, algumas bombas não estavam onde fora indicado.
Em Ávila, cidade turística do centro do país, o explosivo foi posto em um banheiro, que ficou semi-destruído. A polícia estima que a bomba continha um quilo e meio de amônia. Em Valladolid, também no centro do país, o alvo foi um restaurante, situado num local de grande movimento, assim como em León (Noroeste).
Em Santillana del Mar (Norte), o telefonema alertava para um explosivo no estacionamento do zoológico, mas a detonação ocorreu em um parque, onde estavam 300 pessoas e foi isolado poucos minutos antes. A casa de madeira que servia de local de informações ficou totalmente destruída.
- As pessoas mantiveram a calma, porque os policiais não contaram o motivo pelo qual estavam isolando o lugar até que estivessem todos do lado de fora - contou uma testemunha.
Em outra informação errada, o alerta em Alicante (Sudeste) era de que a bomba explodiria na Plaza de España, o que ocorreu num local conhecido como Esplanada de España, uma das principais áreas turísticas. Mas apesar do lugar estar lotado, já que terminava a procissão do santo padroeiro da cidade, o explosivo num vaso de plantas não deixou feridos.
- Levamos um susto enorme - comentou ao jornal El Mundo uma garçonete que trabalha num restaurante próximo. - Estava atendendo na varanda, havia muita gente na rua. De repente, vi camelôs correndo e pensei que a polícia os estava perseguindo. Mas logo apareceram policiais correndo e gritando que havia um aviso de bomba. Todos se desesperaram.
Em Ciudad Real (centro), três policiais foram levemente atingidos quando esvaziavam um restaurante. Em Malága (Sul), onde não houve vítimas, o alvo foi uma feira de livros, que fora evacuada minutos antes.
Segundo o ministro do Interior, ''tudo indica'' que os artefatos, acionados com temporizadores elétricos, tinham composição similar aos usados sexta-feira em postos de gasolina em Madri e a um que foi desativado, em Almería (Sul), no sábado.
- A ETA sabe que só tem um destino: o fim da violência e o abandono das armas. E espero que isso aconteça logo. Para isso trabalha o governo - afirmou o premier José Luis Rodríguez Zapatero. - O estado de direito, a democracia, é, foi e será mais forte do que qualquer tentativa de mudar as regras por meio da violência.
A Espanha está se preparando para reformar a Constituição de 1978, que estava sendo comemorada ontem, mas as medidas ainda não foram acordadas. As comunidades do País Basco, da Catalunha e da Galícia querem mais poder para os governos regionais semi-autônomos. No entanto, a proposta de que a Carta chame as três regiões de ''nação'' é rejeitada por 75% dos espanhóis.