Título: Capital político garantido
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Fonte: Jornal do Brasil, 11/01/2005, Internacional, p. A7

Espero trabalhar com Abbas e recebê-lo em Washington, se quiser vir - declarou Bush, que nunca se reuniu com Yasser Arafat. O presidente americano considera que Abbas pode ser o interlocutor capaz de negociar com Israel um acordo que crie dois Estados vizinhos (Israel e Palestina) em paz.

- Mas é essencial que a liderança unifique as forças de segurança, para que possam lutar contra os que mantêm a destruição de Israel como lema - ressaltou Bush, pedindo ainda a Tel Aviv que continue o apoio ao processo com a saída de Gaza e ajuda ''ao desenvolvimento das instituições palestinas''.

Citados indiretamente pela Casa Branca, os grupos extremistas Hamas (que boicotou a eleição) e Jihad Islâmica se disseram abertos a uma negociação com Abbas, ''após a retirada israelense dos territórios''.

Já o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, também afirmou que o desafio do novo governo é evitar extremismos.

- Os palestinos nem sempre combateram o terror e as declarações da campanha não ajudaram. Mas ele será julgado por seus atos depois das eleições, pela forma com que o combaterá - declarou Sharon.

Ao senador americano John Kerry, observador das eleições palestinas, o premier afirmou que ''está disposto a renovar sua cooperação na segurança e a coordenar a retirada de Gaza e da Cisjordânia''. Da União Européia, também parceira no Mapa da Paz, Abbas recebeu felicitações. O representante de Política Externa da UE, Javier Solana, disse que o bloco vai continuar apoiando a ''criação de dois Estados'' na região.

- O apoio será político e econômico. Vamos atuar juntos para tornar real esse sonho.

- O senhor é uma esperança baseada no diálogo e na justiça - avaliou o presidente da França, Jacques Chirac, a Abbas. O premier britânico, Tony Blair, também desejou ''sucesso'', bem como a Rússia, outra parceira no Mapa do Caminho. O papa João Paulo II mostrou-se satisfeito pelo clima político.

- Inúmeros são os homens que agem com coragem e perseverança. Assim ocorre no Oriente Médio, onde a confrontação das armas se acalma e uma via política se abre para o diálogo - afirmou. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou felicitações:

''É chegada a hora rumar em direção à paz e à prosperidade. Conte com o apoio do Governo e do povo brasileiros na tarefa''.