Título: Dólar em baixa estimula investimentos
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 24/01/2005, Economia e Negócios, p. A19
Compra de máquinas eleva importações
Indústrias intensivas em importação de matérias-primas, insumos e bens de capital, como empresas do setor farmacêutico, químico, petroquímico e têxtil, poderão ser favorecidas por uma janela de oportunidade aberta pelo câmbio valorizado. - O câmbio valorizado barateia o investimento, mas isso não é um estímulo primário, é um estímulo adicional. Quando há um sinal de que haverá ampliação dos gastos com máquinas e equipamentos, esse câmbio incentiva a compra no exterior, mas isso não é um incentivo primário - disse o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida.
Ele explicou que o estímulo primário ao fomento das importações continua sendo a expansão do mercado interno, dependente de bens intermediários usados nas indústrias farmacêutica, química, têxtil e de petroquímica. Mantidas as condições atuais, diz Júlio Sérgio, haverá um boom da entrada no país de bens de consumo de origem estrangeira, seguido por maiores compras de máquinas e equipamentos.
A Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) monitora a evolução das importações frente às exportações. O economista Fernando Ribeiro informou que as compras feitas no exterior em dezembro de 2004 ficaram 42,5% acima das operações feitas em dezembro de 2003. Sob essa mesma base de comparação, as exportações tiveram alta de 36%. Outro dado é que, em setembro, a taxa de crescimento das importações superou a das exportações. A partir disso, o ritmo de expansão das exportações vem mantendo-se estável enquanto que as importações aceleraram.
- A vantagem do câmbio barato é essa: as importações. Mas o ideal seria termos muita exportação. Isso puxaria as importações e a corrente de comércio seria maior - apontou Ribeiro.
Em 2004, o país atingiu uma corrente de comércio recorde de US$ 159,254 bilhões (a título de comparação, somente as exportações da Coréia do Sul somam US$ 200 bilhões).
No entanto, mesmo frente a um câmbio propício às importações, empresários de alguns desses setores enfatizam que seria preferível que a relação real-dólar fosse vantajosa ao avanço dos produtos brasileiros no exterior.
Em meio ao debate acirrado sobre uma interferência ainda maior no câmbio pelo Banco Central, a posição mais confortável é a do governo. Isso porque, com a entrada em vigor da cobrança da Cofins sobre os produtos importados, somente no ano passado foram arrecadados R$ 11,7 bilhões. Neste ano, a receita será maior. Após as importações de US$ 62 bilhões em 2004, o Iedi projeta uma taxa de crescimento de 22% em 2005, que fará a cifra subir para US$ 75,3 bilhões.