Título: Roseana se aproxima do governo e se afasta do PFL
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2005, País, p. A2
Lula decide nomear senadora maranhense para ministério a ser definido
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou ontem a decisão política de nomear a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), filha do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), para um ministério.
Segundo um ministro do governo, Lula bateu o martelo depois de receber ontem pela manhã em audiência no Palácio do Planalto o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o próprio Sarney. Restaria decidir a pasta, por isso o presidente teria resolvido adiar o anúncio oficial provavelmente para a próxima segunda-feira, quando fará nova reunião com Sarney e Calheiros. Especulam-se o ministério do Turismo e o das Cidades.
Também já estariam praticamente sacramentadas, segundo interlocutores do presidente nos últimos dias, a permanência dos ministros Aldo Rebelo, na Coordenação Política, Agnelo Queiroz (PCdoB), nos Esportes, e a ida do deputado Pedro Henry (PP) para um ministério ainda a ser definido.
Ontem, depois do encontro com o presidente Lula, Calheiros não quis confirmar, mas deixou transparecer que o PMDB dá como certa a entrada de Roseana no governo:
- Não sabemos que espaço será dado ao PMDB. Sabemos que é fundamental abrir espaço para que a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) integre o governo - afirmou, confirmando para segunda um novo encontro com o presidente quando, segundo Calheiros, será definida a nova fatia do partido na reforma ministerial.
Sarney, dizendo-se constrangido, preferiu não comentar a possibilidade. Despistou:
- Ela (Roseana) é uma política que tem brilho próprio e caminha pelos próprios pés.
O líder do governo no Senado, Aloisio Mercadante (PT-SP), que também participou da reunião com Lula, se derramou em elogios à senadora maranhense. Em sua avaliação, Roseana é ''um quadro politicamente importante, tem uma bela experiência administrativa e tem tido papel fundamental do ponto de vista das alianças no Senado''.
Além de Sarney e Calheiros, Mercadante é um dos principais fiadores da nomeação que deve ser encarada como cota pessoal de Lula. A articulação para que Roseana se tornasse ministra recrudesceu na última semana. Há 15 dias, o presidente ainda se mostrava reticente em incorporá-la ao governo. Convencido de que a nomeação da senadora será importante para o triunfo do chamado ''governo de coalizão'', com vistas às eleições de 2006, Lula definirá nos próximos dias em que pasta pretende acomodá-la. Por intermédio de interlocutores, Roseana deixou claro seu desejo por um ministério com poder político. Sua intenção é retornar ao governo do Maranhão em 2006.
Tão logo seja oficializada no ministério, Roseana Sarney deve comunicar ao PFL sua desfiliação do partido. Com isso, existiriam duas hipóteses, ainda em avaliação pela senadora: ficar sem partido até meados de 2006, quando ingressaria num partido de sua escolha para se candidatar ao governo do Maranhão. Ou filiar-se imediatamente ao PMDB, de onde já recebeu sinais de que seria muito bem recebida.
Ontem, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), afirmou que Roseana terá que deixar o partido caso confirme seu desembarque no governo. Questionado sobre a necessidade de a senadora se desligar do PFL para entrar no governo, Calheiros respondeu que esse assunto deve ser tratado depois de definida a reforma.
- Acredito que a filiação de Roseana ao PMDB será uma conseqüência da reforma ministerial. Não podemos inverter os papéis - afirmou.
Na audiência no Planalto, Sarney também informou a Lula a conclusão do acordo para a sucessão no Senado, segundo o qual Calheiros será o próximo presidente da Casa. Para assegurar uma eleição sem sobressaltos, Calheiros está disposto a abrir espaço na Mesa Diretora para a oposição.