Título: Medo da instabilidade
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/01/2005, Economia e Negócios, p. A19
As indústrias têxteis integram um setor dependente de insumos fabricados no exterior. Ainda assim, nos últimos anos, as empresas transformaram déficits comerciais em superávits, uma conquista que não querem perder. Em 2004, os embarques de produtos têxteis destinados ao exterior somaram US$ 2 bilhões e as importações, US$ 1,4 bilhão, diferença que rendeu um saldo comercial de US$ 650 milhões, o maior desde 1992. A maior parte das compras no exterior é de fios sintéticos provenientes da China.
- O câmbio não está favorável às exportações, mas isso pode ser uma fase. Ainda assim, a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) vê essa questão com preocupação, decisões de investimento podem estar sendo postergadas. Mantida essa situação, acredito que teremos o mesmo volume exportado em 2004, contra uma meta anterior de US$ 2,2 bilhões - informou o diretor Fernando Pimentel.
No setor farmacêutico, a estratégia é tirar proveito da estabilidade macroeconômica para atrair ao Brasil projetos decididos pelas matrizes das multinacionais. As indústrias farmacêuticas são intensivas em importações e adquiriram no ano passado US$ 1,6 bilhão em matérias-primas e insumos no exterior, volume 10% acima de 2003. As exportações foram de US$ 314 milhões.
O presidente-executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Ciro Mortella, disse que mesmo diante da dependência do setor pelas importações, o objetivo é ampliar as vendas de produtos farmacêuticos no exterior, firmando o país como plataforma de exportação.
O setor químico - uma das maiores importadoras e que tende a ampliar os investimentos em novas fábricas e produção de matérias-primas e insumos - acompanha os desdobramentos do efeito câmbio. No ano passado, as exportações atingiram US$ 6 bilhões, mas as importações chegaram a US$ 14 bilhões. O vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Guilherme Duque Estrada, apontou um dos parâmetros da questão: o maior ou menor risco ao investimento.
- As empresas importam mas também exportam, e, por outro lado, o câmbio faz parte do jogo político econômico liberal. Os investidores avaliam tudo e sentem-se inseguros quando vêem um governo que interfere na economia. O governo tem adotado uma solução e tem insistido que não vai mudar e, nesse momento, é preciso serenidade para analisar essa situação friamente - palpita.
Ele citou como exemplo de investimento feito na compra de bens importados da Rio Polímeros, que será inaugurada em Duque de Caxias (RJ) em abril. O aporte foi de US$ 1 bilhão.