Título: Pleito sofre pressão
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2005, internacional, p. A7

O jornal The New York Times defendeu em sua edição de ontem o adiamento das eleições gerais no Iraque, previstas para 30 de janeiro, a fim de permitir que todos os setores do país participem no pleito e evitar assim uma guerra civil.

''Chegou o momento de falar do adiamento das eleições'', afirma o jornal, que alerta o presidente George Bush sobre o perigo de ''decretar a vitória e começar a retirar as tropas americanas depois das eleições''.

''As eleições - apresentadas como prelúdio para um novo Iraque democrático - mostram cada vez mais um cenário complicado'', o de ''uma guerra civil entre sunitas e xiitas, que geraria instabilidade em todo o Oriente Médio''.

Sobre o tema, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, reafirmou ontem o calendário eleitoral mas admitiu que o pleito ''não será perfeito'', por causa da situação atual de insegurança no país.

- Todos nós reconhecemos que as eleições não serão perfeitas - frisou McClellan em entrevista coletiva. - Será a primeira vez que os iraquianos poderão escolher livremente seus dirigentes. O objetivo desta votação é designar um governo interino, e outras duas eleições estão programadas para este ano no Iraque - acrescentou.

O porta-voz informou também que os militares americanos contabilizam quatro das 18 províncias iraquianas como problemáticas, ''porque terroristas e fiéis a Saddam Hussein continuam a perpetrar nestas áreas ações violentas contra civis inocentes e contra as forças da coalizão''.

- Queremos garantir a melhor eleição possível, com o maior nível de participação possível - disse McClellan.

O discurso parece estar afinado com o segundo escalão do governo interino em Bagdá.

''As eleições não serão nem exemplares, nem perfeitamente organizadas. Haverá problemas, mas podemos realizá-las, porque a maioria do povo iraquiano quer estas eleições'', frisou o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, em entrevista publicada ontem pelo jornal egípcio Al Ahram.

No entanto, o primeiro-ministro interino Ayad Allawi mostrou na terça-feira uma versão mais pessimista, ou realista. Allawi admitiu pela primeira vez que ''bolsões'' do Iraque serão perigosos demais para os eleitores votarem este mês.

Em um discurso transmitido pela televisão, o premier disse que esperava que as forças de segurança americanas e iraquianas conseguissem pacificar muitas das partes mais caóticas do país antes das eleições de 30 de janeiro. Dessa forma, até lá, as áreas perigosas demais para votação provavelmente seriam pequenas e restritas.

- Forças hostis estão tentando impedir esse evento - disse Allawi. - Certamente, haverá alguns bolsões onde as pessoas não poderão participar das eleições, mas não achamos que serão amplos.