Título: Bogotá assume operação em Caracas
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2005, Internaqcional, p. A11
O governo da Colômbia admitiu ontem que pagou uma recompensa pela captura em Caracas e pelo transporte até a fronteira, em Cúcuta, do rebelde das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) Rodrigo Granda, o que aviva a briga diplomática entre ambos os países pelo caso.
- Sim, pagou-se por uma informação que permitiu que o senhor Granda entrasse em território colombiano, para estar na mão da polícia - confirmou em Bogotá o ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe, depois de esclarecer que ''não se promoveu nas Forças Públicas de outros países a busca irregular desta pessoa''.
O ministro revelou que a Colômbia recebeu em dezembro a informação sobre a presença de Granda na Venezuela, ''mas os informantes não serão identificados''.
- Os dados foram considerados suficientemente sérios pelos órgãos competentes. Foram montadas operações de prisão do rebelde em Cúcuta - acrescentou Uribe, advertindo que a Colômbia ''não vai permitir que os insurgentes continuem se movimentando com demasiada liberdade no exterior''.
Segundo o ministro, Bogotá confia que depois desta revelação, a Venezuela tenha a certeza de que sua soberania não foi violada.
Mas longe de diminuir a tensão diplomática surgida com o seqüestro de Granda, a declaração atiçou a tormenta política entre os vizinhos.
Em Caracas, o deputado Luis Tascón, do Movimento V República (MVR), afirmou à rádio colombiana Caracol que este fato ''deixa claro que há um propósito da ultradireita da Colômbia de perturbar as relações com a Venezuela'', ainda que tenha dito: ''Duvido que o presidente Álvaro Uribe soubesse que estava por violar a nossa soberania''.
- Autoridades venezuelanas atuaram como delinqüentes, vendendo o seqüestrado ao governo colombiano, assim como fazem os criminosos comuns que seqüestram na Venezuela e vendem suas vítimas às Farc e ao Exército de Libertação Nacional (ELN) - criticou Tascón.
Já o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, preferiu comparar o fato com uma jogada ilícita de futebol:
- Este foi um típico gol de mão. Comemora-se, mas ele aconteceu de uma maneira não muito limpa. E gols como este, a gente também pode sofrer.