Título: Sarney: Roseana quer a Previdência
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2005, País, p. A4
Presidente do Senado afirma que a filha ''vê com muito bons olhos'' o ministério de Amir Lando
Interlocutores da senadora Roseana Sarney (PFL-MA), entre eles seu pai e presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), fizeram chegar a informação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a futura ministra vê com muito bons olhos a ida para o Ministério da Previdência Social, hoje controlada pelo ministro Amir Lando (PMDB).
Debruçado sobre o quebra-cabeça ministerial, o presidente já tomou a decisão de nomear a senadora maranhense para um ministério, conforme antecipou ontem o Jornal do Brasil. Mas ainda não teria decidido em que pasta acomodá-la. São especulados o Turismo, as Cidades e as Comunicações. Segundo um ministro muito ligado a Lula, freqüentador assíduo das reuniões restritas no Planalto, o Ministério da Previdência seria uma boa porta de entrada para a senadora no governo Lula.
Na Previdência, seduziria Roseana a possibilidade de uma arrecadação recorde em 2005 (mais de R$ 100 bilhões), o que transformaria o ministério num importante vetor político. O orçamento está estimado em R$ 145,9 bilhões, o maior da Esplanada. A senadora almeja um ministério com o qual possa fazer política no Maranhão, pois sua intenção é retornar ao governo do estado em 2006, hoje administrado pelo ex-aliado e hoje adversário, José Reinaldo (PTB).
As conversas sobre o assunto devem evoluir na segunda-feira, quando Lula receberá novamente em audiência os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido no Senado, e Sarney. Os três estiveram reunidos anteontem. Também participou do encontro o líder do governo no Senado, senador Aloisio Mercadante (PT-SP), um dos principais fiadores, além de Calheiros e Sarney, da ida de Roseana para o ministério de Lula.
Coincidência ou não, ontem o presidente recebeu Amir Lando em audiência no Palácio. O assunto não foi divulgado e o ministro não deu entrevista após o encontro, mas a reforma ministerial estaria na pauta. A saída de Lando da Previdência é dada como certa no governo e no Congresso. Anteontem, durante solenidade no ministério, falou em tom de despedida:
- Foi feito muito aqui na Previdência. Se mais não foi feito, foi por falta de vontade política - afirmou.
O ministro disse ainda, em tom de ironia, que monitora diariamente o Diário Oficial para saber se está demitido ou não. Até a última semana, o presidente estudava deslocar para a Previdência o vice-lider do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Mas teria colocado um pé no freio tão logo soube da hipótese aberta pela futura ministra, ampliando o seu leque de opções para o chamado governo de coalizão com vistas à 2006.