Título: Educadores protestam em Brasília
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/01/2005, País, p. A5
Confederação Nacional do setor entrega documento à Casa Civil com reivindicações e pedidos de mais investimento
BRASÍLIA - Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) protocolaram ontem na Casa Civil um documento com reivindicações por melhorias no setor. Antes da entrega, manifestantes protestaram na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto. O ato foi prejudicado pela chuva, mas chegou a reunir 300 pessoas, segundo cálculos da Polícia Militar.
A principal reivindicação diz respeito ao volume de investimentos em educação. A Confederação defende um aumento de recursos dos atuais 4,6% para 10% do Produto Interno Bruto. De acordo com a entidade, esse acréscimo seria possível com parte da verba utilizada para pagamento da dívida externa.
- O valor da dívida externa brasileira é R$ 545 bilhões. Cerca de R$ 180 bilhões seriam suficiente para a oferecermos uma educação pública, básica e superior, universal e de qualidade. A assessoria disse que o governo é simpático à idéia, já absorvida pelo ministro Tarso Genro, mas afirmou que esse não é um quadro fácil, é complexo - calcula a presidente da CNTE, Juçara Dutra, integrante da comissão que esteve na Casa Civil e foi recebida pela assessoria do ministro José Dirceu.
A maior parte dos manifestantes viajou de outros estados para o encontro nacional da CNTE. Entre eles, a professora de educação artística Ivani Frietrich, de Santa Cruz do Sul (RS).
- Gostei muito de participar. Nesses momentos a gente aprende muita coisa, principalmente a lutar pelo que a gente precisa - afirmou.
A presidente da CNTE, Juçara Dutra, ditou as palavras de ordem na manifestação do alto de um carro de som. Ela aproveitou para convidar os profissionais de educação para um próximo ato, em abril.
- Essa mobilização que começa hoje (ontem) terá ponto alto em abril, com uma marcha a Brasília. Será o momento em que teremos condição de dizer se o governo assumiu ou não a campanha pela reversão da dívida externa - avaliou a presidente da CNTE, que nos próximos dias pretende unir forças a outras organizações da sociedade civil.
Juçara aproveitou para reforçar as críticas ao governo.
- Os brasileiros têm fome de educação. Não podemos tratar do financiamento da educação sem atacar o problema central que é a sangria representada pela dívida externa. Portando, uma atitude corajosa, comprometida com a sociedade, seria essa de governo e sociedade assumirem a campanha.
Na quinta-feira, durante a sanção presidencial do ProUni, o ministro da Educação, Tarso Genro, revelou que Brasil, Argentina e Espanha formaram um comitê de para elaborar uma operação semelhante à reivindicada pela CNTE. Os resultados serão apresentados numa conferência internacional em 2006, na Espanha.
- Não se trata de calote da dívida, mas projetos negociados. O governo espanhol, por exemplo, já se dispôs a pegar uma parte do serviço da dívida argentina e transformar em investimento a fundo perdido em educação - explica o ministro.