Título: ONU vai retirar assessor especial
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/01/2005, Internacional, p. A9

Diplomata que tinha o objetivo de buscar uma solução pacífica para o conflito não será substituído

As Nações Unidas vão retirar seu assessor especial para a Colômbia, James LeMoyne, depois de muitos anos de trabalho infrutífero, informou ontem o jornal El Tiempo, de Bogotá.

O organismo internacional não substituirá o diplomata americano, última pessoa a desempenhar o cargo criado na tentativa de buscar uma solução política para o conflito armado no país.

O jornal, que informou que a decisão será oficializada em abril, ainda citou fontes da ONU, de acordo com as quais ''não há como exercer bons ofícios, entrar em contato com as partes e buscar aproximações''.

A ONU teve como primeiro assessor especial para a Colômbia desde 1999 o sueco Jan Egeland, que agora é o responsável do organismo para a ajuda em casos de desastres naturais, e depois LeMoyne, que começou a missão em janeiro de 2002.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, tinha anunciado no início de seu mandato, em agosto de 2002, que buscaria a mediação das Nações Unidas para promover um processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). No entanto, o grupo rebelde a rejeitou depois de afirmar que ''o conflito é com o Estado colombiano, não com a ONU'' e tentou obter, por sua vez, uma audiência com as autoridades do organismo internacional para dar ''sua versão'' do conflito.

O jornal assinalou que, entre as possíveis causas do fim da missão, está um ''distanciamento'' de LeMoyne com o presidente Uribe e com seu alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo.

Uribe considera que na Colômbia não há um conflito, mas uma luta contra grupos terroristas, e portanto não há como negociar com o outro lado. Já LeMoyne afirmou em entrevistas ao próprio diário El Tiempo que o que há na Colômbia é uma guerra civil e sugeriu que as Farc deveriam ter um interlocutor político: - O que há aqui é uma guerra total, ofensivas maciças que nunca trouxeram uma paz sustentável, nem consenso social - disse.

Na noite de sábado, o helicóptero em que viajava o chefe da polícia colombiana, general Jorge Castro, foi alvo de disparos de fuzil da organização rebelde quando sobrevoava uma área de cultivos ilegais no centro-oeste do país.

O ataque ocorreu perto do município de Samaná, no departamento de Caldas, no momento em que o helicóptero era acompanhado por outro que transportava um senador, um governador e dois generais, disse um porta-voz da polícia. Um dos passageiros, o senador Oscar Zuluaga, contou que os pilotos reagiram imediatamente e conseguiram escapar dos disparos.

Castro e seus acompanhantes foram para Caldas para inaugurar dois quartéis que foram destruídos pelas Farc e verificar o aumento das plantações ilegais na região, segundo a polícia.