Título: Emprego formal recua em dezembro
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/01/2005, Economia & Negócios, p. A17
Resultado foi o pior desde 1998
BRASÍLIA - O mercado de trabalho formal registrou o pior dezembro desde 1998 - ano da crise russa e véspera da desvalorização do real. No mês passado, o número de vagas com carteira assinada encolheu 1,4% em relação a novembro, o que significou a eliminação de 352.093 postos de trabalho.
O mau desempenho surpreendeu o Ministério do Trabalho, que esperava aumento das demissões em dezembro, mas em menor proporção. O encolhimento do mercado no mês acabou comprometendo a meta do governo para 2004, que era a geração líquida de 1,8 milhão de postos. O número final ficou em 1,523 milhão de vagas.
- Havia expectativa de queda do emprego, mas esperávamos que o número (de demissões) fosse menor. Isso não maculou, no entanto, o número anual, que é recorde na série histórica - afirmou o ministro interino do Trabalho, Alencar Ferreira.
Os dados divulgados ontem fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pesquisa mensal sobre o mercado de trabalho formal elaborada pelo Ministério do Trabalho. O cadastro foi criado em 1992 e abrange todos os profissionais com carteira assinada do país, com a exceção dos trabalhadores domésticos.
Segundo Ferreira, a queda nos postos de trabalho foi conseqüência de um movimento típico dos meses de dezembro e não deverá se repetir.
- É claramente um movimento sazonal. Em toda a série do Caged, o saldo de dezembro é negativo - justifica.
Ele avalia que a elevada perda de empregos nas indústrias alimentícia e de bebidas contribuiu para o resultado negativo. O período de entressafra também prejudicou as contratações na agricultura. Além disso, houve forte retração do emprego no setor de serviços - principalmente na área de ensino, por conta das férias escolares.
Em São Paulo, estado que obteve o pior resultado em dezembro, as demissões superaram as contratações em 167.657 vagas. A maior parte dos desligamentos ocorreu no interior, onde têm sede indústrias de café, açúcar e aguardente.
No cenário nacional, a diminuição do emprego formal aconteceu em escala maior no interior dos estados do que nas regiões metropolitanas. A queda no nível de emprego no interior foi de 2,52% em dezembro, na comparação com novembro. Nas grandes cidades e arredores, a redução foi de 0,35%. Mas quando se avalia o resultado do ano, o dinamismo do interior na geração de empregos com carteira assinada foi superior ao verificado nas áreas metropolitanas (crescimento de 7,36%). Nas regiões metropolitanas, o aumento foi de 5,58%.
Ferreira destacou que, nos dois primeiros anos do governo Lula, a geração líquida de emprego formal atingiu 2,168 milhões de postos.