Título: Produção em ritmo de folia
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 16/01/2005, Economia, p. A19

Embalada pelos bons resultados no fim de 2004, indústria reduz férias coletivas para atender demanda ainda aquecida

A tradicional folga de carnaval deste ano na fábrica da PSA Peugeot Citroën, em Porto Real, no Sul do estado do Rio, será embalada por outro tipo de euforia. Animada com os resultados de 2004, a empresa reduziu de duas semanas para apenas cinco dias a folga que fazia parte do calendário desde sua inauguração, em 2001. Para não deixar cair o ritmo de produção que abastece o mercado com 312 carros por dia - em todo o ano passado, foram produzidos 66,5 mil, alta de 48% em relação ao ano anterior - a montadora já havia cortado uma das três semanas de férias coletivas do fim do ano.

- No início deste ano, estamos produzindo no mesmo ritmo de outubro, novembro e dezembro, quando o mercado começou a se aquecer. Até o fim do ano, trabalharemos mais dez dias úteis do que nos anos anteriores para elevarmos a produção a 382 carros diários, ou 83 mil por ano, um marco para nós - comemora Hélio Paes Leme, gerente de planejamento e logística da montadora.

Exemplo extremo de um fenômeno tímido mas inédito depois de alguns anos de atividade industrial retraída, a unidade de Porto Real foi acompanhada por outras empresas na decisão de cancelar férias coletivas de fim de ano para manter o atendimento ao mercado. A associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) confirma que a alta de 7,8% nas vendas de carros no ano passado disseminou o fenômeno no setor. Mas não é o único caso.

Com cinco unidades industriais no Sudeste e no Nordeste, a Sinimplast, que também aproveitava o recesso de fim de ano para compensar as férias vencidas dos funcionários, liberou este ano apenas um número de funcionários correspondente à média dos demais meses. A empresa, que fornece embalagens em resina para fabricantes de cosméticos e produtos de higiene, já vem operando em três turnos desde meados do ano passado. Ainda não pretende expandir a produção com aquisição de equipamentos, mas pode convocar alguns dos 800 funcionários para trabalhar nos fins de semana, caso a demanda justifique.

- Estamos tentando acompanhar a demanda, aumentando a capacidade de produção à medida que ela vem aumentando - comenta Alberto Diego, superintendente da Sinimplast, que não acredita em queda na produção, que hoje já é 18% superior que em igual período do ano passado.

Em Manaus, a unidade da Siemens que produz telefones fixos com e sem fio contou com dois terços dos funcionários trabalhando nas últimas três semanas, quando o normal seria a linha de produção estar parada. Motivada pelo lançamento de novos produtos, a empresa se surpreendeu com a receptividade do mercado com a linha moderna.

- Os três primeiros meses do ano costumam ser muito fracos, respondendo por apenas 15% da produção do ano. Mas este ano está em ritmo de trimestre normal - constata Germano Ramlow, diretor de negócios de telefones fixos da Siemens.