Título: Setor têxtil crescerá menos
Autor: Mariana Carneiro
Fonte: Jornal do Brasil, 15/01/2005, Economia & Negócios, p. A18

Embora o mercado de têxteis comece o ano com a boa notícia do fim das cotas internacionais, o segmento está com as barbas de molho. Depois de um crescimento de 26% nas vendas externas verificado em 2004 e de 40% em 2003, o setor projeta uma expansão de 12%. Para o gerente operacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Rossildo Faria, dólar baixo e cotas formam uma mistura que preocupa.

- Com o fim das cotas, aumenta a concorrência e, com isso, o preço cai. Há ainda previsões de que o mundo cresça menos em 2005. Se não fosse o esforço da produção com design, não chegaríamos nem a isso - diz.

O vice-presidente da Agência de Promoção às Exportações (Apex), Alessandro Teixeira, no entanto, minimiza o cenário negativo.

- Vamos crescer 12% sobre uma base de 30%. Isso é muito em qualquer lugar do mundo - diz.

Teixeira, no entanto, admite que os produtos brasileiros - sobretudo camisetas - sofrerão o impacto da concorrência com o fim das cotas. Porém, segundo ele, existe a perspectiva de ganho no ramo de fibras naturais, como o algodão, e tecidos com corantes naturais. Além disso, enumera, existe o esforço de exportar o estilo brasileiro e, com ele, a produção da moda local, com maior valor agregado. A Apex deverá ter, neste ano, mais do que R$ 70 milhões para divulgar a diversidade do Brasil lá fora e ganhar em troca muitos dólares.