Título: Vale atrai US$ 8,9 bi em investimentos
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 20/01/2005, Economia, p. A22
Quatro siderúrgicas e uma refinaria de alumina serão construídas. Mineradora projeta criação de 33 mil empregos até 2010
No rastro da forte demanda por aço no mundo, a formação de parcerias já seladas entre a Vale do Rio Doce e companhias estrangeiras vai render ao Brasil um aporte de US$ 8,9 bilhões em investimentos diretos. Entre os projetos em andamento, os principais tratam de quatro usinas siderúrgicas e uma refinaria de alumina com sócios chineses, coreanos, italianos e alemães, que já começam neste ano a sair do papel.
O mais recente protocolo de intenções de investimento foi assinado em dezembro entre a Vale e alemã ThyssenKrupp para a construção de uma usina siderúrgica em Itaguaí (RJ) com recursos da ordem de US$ 1,5 bilhão. Duas outras siderúrgicas estão previstas para operar no Maranhão: uma com capital da coreana Posco, que assinou acordo em setembro para o estudo de viabilidade da planta, e outra da chinesa Baosteel como parceira. O negócio com a coreana Tongkuk trata de uma planta com a CVRD no Ceará.
A Chalco chinesa assinou em maio acordo com a Vale para construção de uma refinaria de alumina no Pará. Além de participações acionárias, a Vale apóia os projetos com contratos de longo prazo no fornecimento de minério de ferro.
- Não se investia em planos há anos. O país está precisando ampliar capacidade de produção. Estamos atraindo nossos clientes, que elevarão as exportações a US$ 4,5 bilhões ao ano - comentou Roger Agnelli, presidente da mineradora.
A despeito da onda de parcerias que a mineradora brasileira está conseguindo concretizar com seus clientes o presidente da companhia brasileira foi contundente sobre o preço do insumo.
- A demanda por minério continua muito forte. Tivemos que antecipar investimentos. O preço tem de aumentar - disse o executivo, após anunciar o plano de investimentos.
Em 2005, a Vale vai investir R$ 10,8 bilhões, dos quais R$ 7,1 bilhões serão destinados a projetos de ampliação de capacidade produtiva. Não é à toa que a Vale do Rio Doce investirá neste ano R$ 4,5 bilhões a mais do que em 2004. Os 83,8% de acréscimo dos investimentos serão fundamentais para que a mineradora consiga antecipar todos os projetos de minério de ferro, além de empreendimentos de logística.
- Não imaginávamos alcançar produção de 85 milhões de toneladas de minério em 2006. Isso era previsto para lá de 2010 - comentou Agnelli.
Cerca de R$ 2,3 bilhões vão garantir a manutenção das operações da mineradora, enquanto R$ 1,2 milhão serão usados na elaboração de pesquisas geológicas.
A Vale dará início à implantação de cinco projetos de minério de ferro no Sistema Sul: Brucutu, Fábrica Nova, Itabira, Fazendão e Fábrica. Também vai destinar recursos à ampliação da produção em Carajás, dos atuais 76 milhões de toneladas para 85 milhões em 2006. Já a planta de pelotização de São Luís terá expansão de capacidade de seis para sete milhões de toneladas anuais.
Para acompanhar o salto de produção, a mineradora comprará 5,6 mil vagões e 123 locomotivas somente este ano. O custo dos equipamentos ferroviários, de R$ 1,81 bilhão, é o dobro do que a companhia gastou em 2004.
Somados aos empreendimentos com vistas ao minério de ferro, outros projetos em áreas como alumínio e carvão vão gerar 33 mil empregos diretos entre 2005 e 2010. A maior parte dos postos será aberta em Minas (41%), seguidos de Pará (39,2%), Espírito Santo (6,5%) e Maranhão (6,1%). A companhia aposta que para cada emprego direto gerado, outro indireto será aberto, num total de 66 mil vagas em cinco anos.
Agnelli classificou de inconsistente o relatório da Secretaria de Direito Econômico (SDE) com a recomendação de restrições às compras de mineradoras como Samitri e Ferteco, realizadas entre 2000 e 2001 pela companhia. Segundo ele, o parecer - que ordena a venda de ativos - pode vir a representar problemas para a empresa no futuro.